O Legado Vivo

O Legado Vivo

O ano era 1944.

Nascia meu pai no dia 28 de dezembro, trazendo amor e felicidade logo após a comemoração do nascimento do Filho — Jesus.

Amado e idolatrado, formou-se em Medicina em 1972 e se especializou em Cirurgia Geral em 1976, pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Entre plantões e a falta de tempo, começou a se dedicar à medicina, sem imaginar que seria, ao mesmo tempo, seu primeiro e seu segundo grande amor.

Encontrou-se naquilo que o senso comum chama de profissão, mas que eu entendo como um verdadeiro sacerdócio — e essa visão é compartilhada por seus colegas de trabalho, pacientes e por mim.

A medicina que ele pratica até hoje, com tanto zelo e humanidade, não foi sua única proeza: ainda encontrou tempo para fazer dois filhos.

Quem puxa aos seus, não degenera — herda.

Somos ambos, eu e Otávio Filho, aniversariante de hoje, abençoados pela presença e pelos valores que ele nos transmitiu ao longo dos anos.

Apesar de termos nascido do mesmo pai e de termos nossas diferenças, somos unidos pelo amor de família.

As feridas que a vida causou foram, com o tempo, cicatrizando.

Esse meu irmão, focado e determinado como o pai, seguiu sua vocação no mercado financeiro e me ensinou muito sobre coragem, disciplina e resiliência.

Desde cedo conquistou a liberdade de andar pela cidade e viver — fosse de carro com motorista ou mesmo de ônibus.

Enquanto ele interagia com o mundo, surfando, jogando tênis e futebol como todo bom carioca, eu me escondia embaixo da asa protetora da mãe, refugiado atrás do monitor do computador, tentando entender o peso da vida.

Octavio Pires Vaz Filho é gigante.

Herdou do nosso pai o amor pelos filhos e construiu, por mérito próprio, uma reputação sólida no mercado financeiro brasileiro.

Transitou do setor bancário tradicional para o florescente universo das gestoras independentes, ajudando a moldar o cenário que hoje move o país.

As matérias jornalísticas da época mostram que, já no início dos anos 2000, ele contribuía — e muito — para o debate sobre fundos multimercado e estratégias de investimento.

Essa contribuição rendeu reconhecimento e sucesso, tanto para si quanto para seus clientes, combinando performance, inovação e partilha de conhecimento.

Aprendi muito com ele.

Da arquibancada, acompanhei sua rápida ascensão — comentando cenários econômicos, liderando lançamentos de fundos, participando de grandes projetos de investimento.

Construiu sua carreira com entrevistas, reputação e resultados.

E é um vencedor — porque empreender no mercado financeiro brasileiro exige coragem, esperança e fé.

Ter esperança e desejar um futuro melhor, mesmo quando nada parece estar bem, revela a mesma resiliência que meu pai teve ao se afastar de casa para sustentar a família.

Que este dia, o do seu aniversário, reflita o legado do seu amor — amor pela família, pelos amigos e por todos que lhe querem bem.

Sigo aqui, na plateia, observando e torcendo.

Os embates do passado ficaram para trás.

Vivemos hoje o legado vivo do amor de nossos pais.

Te amo.

28 de Dezembro de 2025

Entre Sócrates e o Pix Orçamentário, segue o Brasil estagnado.

Ando tentando me desligar do telefone. Não é novidade para quem de perto me acompanha. Em especial do fluxo de notícias incessante. Também pesa o fato que em sua grande maioria muitas repetem outras, nada tem de novo a acrescentar.

Pior, esse lixo nos impede de pensar.

No que diz respeito a politica, imagino que uma pessoa eleita, com mandato, deveria justamente fazer o oposto ao que se apresenta hoje. Trabalhar mais, postar menos. Talvez so assim conseguiremos ter gente pensando o Brasil a longo prazo.

Como isso parece não existir, ainda que em pleno voo, me deparei com uma notícia estarrecedora: “Motta pede ao governo liberação de emendas para melhorar o clima na base aliada.”

Fato: Nada de novo sob o sol de Brasília.

No Brasil, o “clima político” é, na verdade, um eufemismo para distribuição de renda pública entre grupos de interesse. Emenda secreta, aberta, parlamentar, no teto ou fora dele.

Esse parece ser o único interesse

Dane-se o povo.

Me recordei do dia que fui a Tiradentes, em seguida me dirigi a cidade próxima para ir ao memorial Tancredo Neves. Apesar da pouca idade, torci por ele e chorei sua perda.

Anos depois entendi a complexidade do que vivemos, e o memorial sua obra viva, contem registro jornalístico do momento. Algumas manchetes sao atuais, o que mostra perdemos o drive na reforma do pais e melhora na qualidade de vida.

FATO: A política deixou de ser um espaço de ideias para se tornar um mercado de influências.

Sera que o esforço dos mais de 130 milhões de pessoas foi em vão? Aquele um em cada seis brasileiros que protagonizou um movimento sem precedente ficou na beira da estrada?

O que aconteceu com o plano de desenvolver o Brasil?

Se foi. Essa é a reflexão de hoje.

Não há plano de governo de longo prazo, não há ideal de Estado — há apenas a luta por fatias do orçamento e projetos medíocres, concebidos para durar quatro anos e alimentar reeleições.

Parlamentar mediocre, projeto mediocre. Simples assim.

Se o Legislativo funciona assim, como esperar que o Executivo e o Judiciário escapem da mesma lógica?

Um administra crises, o outro se expande em protagonismo político. E o cidadão comum observa tudo, anestesiado.

Pensar diferente virou crime de opinião.

Tenho o desejo e expectativa legítima de ver o país funcionar por mérito, justiça e visão de futuro.

Vamos começar?

Precisamos de mais Sócrates, mais Juscelinos — e até uma pitada de Getúlio Vargas — para repensar o Estado brasileiro com coragem e propósito.

E mandar muito politico e algumas instituições para rua.

Para mudar, é PRECISO VOTAR !!!!!

🕊️ O Prêmio, a Dinamite e a Democracia de Pólvora

Muito se comentou nesta semana sobre os indicados ao Prêmio Nobel.

Tamanho foi o fuzuê que me instigou duas perguntas simples: qual a real importância dessa premiação?

Aliás, quem foi mesmo esse cidadão?

Foi então que me dei conta do absurdo que ela representa — e de como se parece com a democracia brasileira.

Ambos são destrutivos.

Alfred Nobel enriqueceu às custas da destruição de vidas.

Licenciava a patente de explosivos para governos e mantinha fábricas ao redor do mundo.

Não há paz nisso, definitivamente.

O prêmio, após sua morte e ao longo dos anos, serviu-lhe como redenção.

Tenho dificuldade em compreender como o dinheiro sujo da pólvora, que de tantos tirou a vida, pode ser objeto de qualquer celebração.

O Brasil, por sua vez, parece se esforçar para ser candidato natural a esse mesmo tipo de prêmio — mérito próprio.

Pegou a arma e fez uma adaptação política, vendendo ao povo a ideia de “ordem e progresso”, hoje reciclada sob o rótulo de “defesa da democracia”.

Tudo uma farsa.

Por trás do roubo do aposentado, dos penduricalhos, das emendas secretas, do “louvo a mandioca”, do “estoque de vento” e de tantos outros absurdos, a paz está longe de chegar.

Não à toa, vemos ministros se aposentando nove anos antes do tempo — e a fila, pelo visto, só tende a aumentar.

Por óbvio, o Judiciário, ao chancelar esses comportamentos, acabou se vendo no espelho.

O verniz da propaganda de “segurança”, “estabilidade jurídica” e “institucionalidade” não resiste ao sopro do que é certo.

Ambos — o prêmio e o país — usam as guerras que fomentam para depois premiar a paz.

E por onde ando vejo o mesmo retrato: mais pessoas nas ruas, mais fome, mais miséria, e um exército de políticos disputando quem aparece mais — alguns aos berros — para supostamente aliviar a dor do povo.

Seguimos, então, premiando inúteis: aqueles que, essencialmente, nos ferem.

Gasta-se dinheiro público com festivais de música, enquanto o estudo, a leitura e a pesquisa continuam relegados.

Defendem pautas ambientais como se importassem com o planeta, mas sequer asseguram luz, água e saneamento a quem vive no estado.

Não é só o prêmio que merece reflexão.

Por trás de suas atitudes, Nobel tentou, ao final da vida, apagar atos reprováveis ou inconvenientes — algo que também está em alta por aqui.

Muitos preferem apagar a própria história em vez de enfrentar o que fizeram.

Nem a Justiça escapa.

Manda excluir, na cara dura, um post que desagrada, em vez de publicar uma errata e deixar o registro do erro como aprendizado.

Apaga a prova depois de julgar — e ainda chama isso de evolução.

Talvez isso explique o cansaço de alguns magistrados.

E, sinceramente, o quanto estou preocupado…

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Prescrição, Privilégio e Fé

“Se demorar cinco anos prescreve, logo não será preciso pagar tudo porque uma parte não vão poder cobrar.” Essas foram as palavras que escutei, mal havia sentado à mesa do restaurante, no que poderia ser um almoço comum.

Não foi.

Para o senhor e sua senhora que estavam atrás de mim, o tema parecia absolutamente normal e confortável. Não só debateram o marco temporal para pagar uma dívida como também concluíram que o problema não era a prescrição, mas o fato de ter que pagar honorários para o advogado pleitear tal benefício.

Esse raciocínio não difere muito da lógica aristocrata que há tempos critico e que permeia a suposta classe intelectual da cidade.

Semana passada, enquanto almoçava, assisti à reprise de um episódio de Sai de Baixo em que um dos personagens principais, interpretado por Miguel Falabella, o Caco Antibes, foi impedido de entrar no Jockey Club porque não havia pago a mensalidade por mais de dez anos. Um absurdo, dizia ele, como se pudesse frequentar um lugar sem pagar, ainda que não fosse dono nem monarca.

Não vejo graça na crítica ao estereótipo de pobre feita naquela época, porque não acho engraçado fazer graça com a vida dos outros. Ainda que esse tipo de comédia seja reiterado na TV brasileira — afinal, foi mal copiada por um comediante que jogou a própria mãe “na boca de Matilde” em relação a si, à família e à vida. Fez isso no teatro, no filme e na televisão. Curioso reparar que o autor se foi e a mãe ficou… empregada na Globo.

Isso diz muito sobre alguns níveis da elite — intelectual, financeira, política — ou mesmo todas quando reunidas ou omissas.

Comum à conversa que escutei no almoço é o fato de que o Rio de Janeiro parece andar cheio de pessoas que foram tomadas pelo individualismo. São muitos os fatores que contribuíram para o declínio da cidade. Não à toa estamos capturados por milícias e vivemos diariamente a disputa de facções criminosas. Muitos dos que poderiam planejar projetos de longo prazo para melhorar a condição de vida do povo, simplesmente se fecharam à realidade. Passaram a viver em seu controle direto e indireto de instituições — políticas ou não — através das quais perpetuam o resquício do colonialismo.

Não é novidade que todas as manhãs acordo de madrugada pedindo a Deus sabedoria, discernimento e misericórdia. Comum a todos os dias, quando depois assisto ao RJTV, é constatar que vivemos em uma cidade é gerida por uma governança inconsistente e falha. Acostumamo-nos a receber menos por mais. Não a toa, pagamos mais por menos.

O que vivemos hoje não é compatível com o que nos foi prometido tempos atrás.

Permanecemos vivendo em um município que fomenta a desigualdade persistente em razão das bolhas criadas que sustentam essa rede de influencia e poder. É frustrante perceber que a euforia de novos programas — de habitação, transporte ou o que quer que seja — parece nascer para frustrar – e não ajudar – o povo, e fomentar o capital privado.

Nem mesmo a filantropia escapa, porque até para isso gasta-se muito, e muito mal.

A cooperação do governo federal tampouco tem nos ajudado a equilibrar o estado. Ainda que este último tenha subsidiado programas de infraestrutura que particularmente considero falhos — alguns desde os tempos da Olimpíada —, estranho é o impulsionamento de novos projetos na antevéspera da eleição.

Voltando ao almoço de hoje: felizmente passou.

Estou esperançoso de que amanhã consiga almoçar ao lado de pessoas civilizadas, que falem baixo, para que eu não precise escutar ou fazer juízo de valor sobre histórias alheias. No entanto, se isso não ocorrer, que a conversa ao menos seja mais humana, mais gentil, que fomente boas ações, que traga soluções. Que seja uma conversa mais cristã.

Aos políticos e empresários que não ajudam e vivem a realidade de seus umbigos, só Jesus na causa — esse nunca tarda, nem falha, felizmente!

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O Mar de Náufragos em que Vivemos

Hoje pela manhã, trafegava pela rua Tonelero, em Copacabana. Reduzi a velocidade e parei tranquilo no sinal amarelo. Ao olhar para o lado, me deparei com uma cena que imediatamente me remeteu ao cinema.

No filme, o protagonista sobrevive a um acidente aéreo e acaba isolado em uma ilha deserta. Lutava contra a solidão e contra a natureza para permanecer vivo.

Na rua, diante de mim, dois corpos escondidos sob um lençol, exceto pelo pé de um deles. Náufragos urbanos, sobrevivendo em um ambiente tão hostil quanto uma ilha perdida. Talvez até mais duro: a pedra portuguesa pode ser mais inclemente que a areia.

À frente deles, um caderno espiral branco, abandonado. Perguntei-me quais sonhos ou necessidades poderiam estar ali registrados. Lembrei do privilégio de ter um caderno novo na escola e me questionei: em que momento perdemos a importância de escrever, de sonhar?

O mar de náufragos não se restringe a quem vive nas ruas. Ele inclui também os que trabalham sem conseguir acumular, sem férias, sem previdência ou saúde complementar, parece que só trocam dinheiro. Sobrevivem apenas do salário — e por isso vivem à deriva.

No Brasil, poucos não são náufragos.

E o que mais entristece é perceber como muitos afortunados ou que se dizem da elite escolhem navegar sozinhos, ignorando o próximo, passando por portas abertas sem um cumprimento, como se carregassem um rei na barriga.

Enquanto isso, a maioria segue à mercê da maré.