Dia 02: algo que me contaram e nunca esqueci

O dia do benefício, é o dia da ingratidao

Minha mãe contou que meu avô disse isso a ela quando ainda jovem.

De tempos em tempos me pego refletindo sobre isso. Mais do que um ensinamento, essa afirmação do passado é bem atual, é uma verdade.

Incontáveis as políticas públicas cuja motivação foi legítima e na prática, uma vez sancionada a Lei ou regulamentada acaba matando o ecossistema proximo.

Sob o pretexto de criar direito, fazem um movimento que acaba por engessar, esvaziar e diminuir a população.

Trinta anos atrás ninguém imaginaria que o Estado Brasileiro iria dizer da escola ao absorvente, a casa e a comida que seria destinada ao tipo de cidadão brasileiro.

E nós que escrevemos e somos críticos somos uma anomalia ao sistema.

Da mesma forma, vejo o filme de pessoas que ja passaram pela minha vida e reparo o quanto algumas estão, outras não.

Depois de tantas dificuldades e batalhas, procuro entender que sou um instrumento de Deus portanto ele atrai e afasta as pessoas.

Nesse particular procuro seguir seus ensinamentos e não esqueço o dia de quem perdeu a vida para nos salvar.

Ainda que não mude a expressão acima, fato: o dia do benefício é o dia da ingratidão.

Portanto se esta a volta de uma situação dessa, ore, peça a Deus, aprenda dentro do possível perdoar e deixe a vida agir. Melhor fazer isso e dormir do que viver sem isso na falsidade.

Dia 01: Dez coisas que te deixe feliz

Quem diria, a maior dificuldade inicial na abordagem desse tema foi me permitir parar e refletir. Afinal de contas estou tão acostumado a viver a selva das necessidades e urgências de tudo e todos com quem interajo ao longo do dia que esse tema na verdade é um prêmio.

Primeiro item da lista é chocolate. Gosto muito, não tem como não gostar, porque tem sido e foi companheiro para todas as horas. Sim também é um vício o qual espero ao longo desse ano me livrar, assim como fiz com a Coca Cola, demais refrigerantes e até mesmo água gasosa, tenho consciência da limitação em relação a isto e preciso de uma ajuda para me livrar desse vicio. Não obstante sou terrivelmente feliz quando como chocolate, é inegavel a alegria que propociona seja qual for.

Segundo é montar lego, que não tem qualquer relação direta com o brinquedo. Esta mais relacionado a aptidão que tenho de resolver problemas, os mais diversos possíveis. Do conserto do carro para obra em casa, do teto a caixa d’água, central telefônica, faço um pouco de tudo. Tenho muito respeito e zelo por pessoas e pelas coisas, sou fascinado por tudo o que é antigo, se for máquina então boto logo para funcionar e cada vez mais impressionado com a falta de memória das pessoas. E do pouco valor que estão dando as coisas. Portanto lá em casa até hoje temos fita de vídeo vhs, minidisc, cd player e por ai vai.

Terceiro é nadar. Natação é liberador. O contato com a água, o exercício, a relação do corpo com a respiração e o esforço fisico e mental para manter tudo isso é indescritível. Depois do útero (e la se foram 46/7 anos) a piscina foi o lugar onde me encontrei depois de adulto para nadar os problemas afora. Também consegui força e coragem para enfrentar questões postas de lado desde criança, como o frio da água.

Dirigir entra em quarto na lista. Tenho um entendimento sobre automóveis que herdei do meu avô. Seu legado me permitiu, aos 13 anos trabalhar na oficina mecânica. Bons tempos. Nem injeção eletrônica havia, tudo se resumia a ignição eletrônica, giclê, anti borbulhador de gasolina e…. Carburador. Olho para trás com felicidade de ter vivido a evolução do automóvel, me envolvo com manutenção que acaba sendo um misto de passa tempo e hobby seja de quem for. Existe algo fascinante nisso que é diagnosticar, corrigir e testar. Nem tudo são flores, lamentavelmente a indústria deu um salto para trás na produção do carro elétrico, basicamente governos e representantes da indústria estão nos enfiando goela abaixo um carro gerido a moda celular em troca do que ja é conhecido, testado, produzido e principalmente consertado. Ja não se fabrica carro do chão para cima como antigamente, uma pena. Como se não bastasse a cultura do terceirizado que na minha percepção é mais oneroso, tem-se menos qualidade e nenhuma responsabilidade e a robotização que leva a construção com maior precisão, na prática os carros novos são caros, de papel, programados para acabar em poucos anos e a manutenção eh a base de troca, quando não do carro algum conjunto de peças. Pronto.

Nada disso faria sentido sem os vídeos no YouTube. Não é que esse tipo de TV na minha vida pegou. Lá há tempo e conteúdo para tudo, do simples ao complexo, é possivel aprender, viajar, assistir entretenimento, tudo lá. De como fazer gelo a mega construção. Não a toa existem pessoas que vivem daquilo la.

E nada disso faz sentido se eu não tiver capacidade de devolver a sociedade histórias e ensinamentos que a vida me proporcionou. Nesse espírito de uns anos para ca, comecei a me dedicar mais as pessoas, olhar ao entorno, procurar entender, ajudar, fazer mais. Sob esse impulso consegui com a Amparo criar uma padaria social cujo lema é pão para quem tem fome, emprego para quem precisa. Carlos foi enviado por Deus para tirar do papel esse projeto que já está a contar com ampliação para doceria social. Esse filho de Deus é um irmão na causa social. No escritório tenho uma cota de gratuidade que faço sempre para pessoa física, aprendi desde cedo na universidade o quanto a advocacia pode mudar a vida das pessoas, fazer bem. Incontáveis as vezes que uma interseção jurídica ajudou a resolver questões a par dos problemas e questões que surgem no tramite nada justo pelo Poder Judiciário.

Para que isso tudo aconteça, preciso trabalhar. Esse item é intenso, confesso não desligo celular. Se antigamente smartphone era um luxo, permitia estar a frente de questões e problemas resolvendo rapido as tarefas do dia, hoje, quem diria, é o maior problema. Uma sociedade que troca a aprendizagem e desenvolvimento por máquina não pode dar certo. Hoje gasto horas escrevendo, repetindo, lembrando fatos e ideias ao telefone. Ou seja, a simples disposição de tecnologia não acrescentou em nada a vida das pessoas, pelo contrário, a grande quantidade de jogos inúteis e banalidade que existe na rede provoca ineficiência e distração. Pior esta por vir, restringe a interpretação. A par dessa dificuldade, do fato que pessoas de escondem pela tecnologia, sigo trabalhando. São muitas as consultas, dúvidas e até mesmo opiniões que chegam de pessoas pedindo um misto de ombro e resposta. Não tenho competência para responder tudo e todos, no entanto tenho ciência de ate onde consigo seguir e estou sempre trabalhando.

E quando não estou trabalhando, olho para o lado e vejo o Paulo. Que vida, que amor. Para quem recebe menos tempo que tudo o que acima está e continua me amar é sinal que o pouco que recebe é forte, seguro, intenso, verdadeiro e valioso.. É sinal que preciso também mudar, fazer algo positivo para nossa vida.

Proximo da lista vem com uma vida de aprendizado: computador (meio gringe né) antigo me leva ao além. Tenho ainda um 486 em casa, alguns programas comprei 2, 3 vezes. Missão desse ano é montar o meu novo computador. Sou meio avesso a tecnologia, confesso, uso tudo, volta e meia o moderno precisa de um ctrl+alt+del para funcionar e esta tudo ok. Essas teclas foram substituídas para atitude, reparo pessoas que ligam e desligam celular, carro, tudo, para voltar a funcionar e não sabem exatamente porque. Por mais avançado que sejam os sistemas hoje percebo são inconsistentes. Evidente que programado pelo homem jamais serão perfeitos. Só que esta demais. Então computador antigo é tanto um quanto limitado e infalível.

Penúltimo item mole de escrever, não sou de expor nossos filhos caninos, porém estão aí. Viajo com eles, vamos a buzios, itaipava, ficamos em casa sem nenhum problema. Nino entrou na minha vida 12 anos atrás, em seguida veio sua esposa a Nina. A filha Gaban foi ficando e derrepente Alice! A golden que se sente shitzu.

Ultima coisa que me faz feliz é cuidar de mim. A vida e um especial amigo me ensinou, cuida de ti primeiro depois veja os outros. O envelhecimento é uma realidade, junto com ele vem uma conta impagável de erros e acertos na vida que se resumem em patologia. Tenho uma conta dessa. Quando cuido de mim entendo que estou mantendo, preservando o que Deus me deu. Mais do que uma obrigo, questão de sobrevivência. Eh quando olho para dentro que me inspiro e vivo.

Desafio dos 30 aos 46, ta valendo!

Como diz o ditado, antes tarde do que nunca.

Minha amiga Brisa Letro muito recentemente dedicou um tempo de si para me ajudar a sair do modo observador, basicamente virar a chave para ativar a fase escritor.

De tempos em tempos estou a ler tanta coisa, que paro de refletir, viver. Sinto que uma inércia toma conta da área de criação.

Estou diante do desafio de 30 dias.

Veremos! Com amor e dedicação chego la.

Penso logo existo

Reconheço que aos poucos vou vivendo e compreendendo a limitação decorrente do envelhecimento.

A incapacidade de aceitar narrativas já conhecida é o primeiro sinal, seguido da incontrolável é inadiável resposta a situações vazias, algumas só existem pela necessidade de aparecer, outras por conta daquela velha máxima falem mal desde que falem de mim.

Boas ações do passado hoje não chegam a um mero discurso. E não é para fazer ou demonstrar conhecimento, isso é coisa do passado. Hoje o que vale é o engajamento.

Pelo engajamento pessoas, valores, ideias se distorcem para ser elegante.

Até aí tudo bem. O problema começa quando esse meio de viver lhe impede de fazer algumas perguntas ou refletir sobre questões que apesar do meu íntimo entender nem deveriam existir, aí estão.

Hoje pela manha li em um noticiário internacional sobre uma proposta de tornar os banheiros da escola sem gênero. Fiquei pensando, que loucura.

Sou gay, fui criado em escola católica, nunca fui doutrinado a nada. Embora para alguns amigos tenha sido caçoado pelo meu jeito de ser, sempre relevei, contestei, jamais pensei seguir para esse campo aí.

Tem um grupo que presume conquistar espaço a partir da discussão, ou da universalização de tudes. Enquanto outros que no passado, digamos assim, deram a cara a tapa, não tiveram dúvida em qual banheiro deveriam ir.

Fato não consigo me imaginar uma sociedade onde tudes é feites para ser politicamente corretes. Porque não é.

Não foi essa a intenção de nenhum pensador ou filósofo do passado. Saindo desse meio, até mesmo aqueles que foram posteriormente reconhecidos e incluidos no rol dos L-sopa-de-letras também não se pautaram por isso.

Fato é que o ser humano precisa da concepção ao fim da vida perder um tempo para ser instruído. A cada geração o tempo de instrução e a qualidade dela muda.

São muitas as razões para justificar a falta de ensino, atitude e até liturgia de todos que operam nesse ambiente. Não me vejo de forma alguma seguindo o passo daquelas que se expandem dividindo o território do passado por classificação de atos, pessoas e gênero.

Isso pouco importa, é preciso encarar a vida, entender que não é um porta retrato, dela não se vive para deixar memória.

No fim do dia se algo me cansa é interagir com pessoas que não compreendem que não são desse mundo, se tornam personagems de si mesma e trazem um grande vácuo e vazio a sua existência e de quem está próximo.

E tem outro grupo aí querendo vender isso como certo, politicamente correto, um meio de vida. Podemos ser tudo no recém criado mundo virtual, este é perfeito. Para tudo o que a humanidade destruiu, não melhorou ou moldou para uma vida pre determinada existe o metaverso.

Lá todo mundo esta jovem, todo mundo é bonito, todo mundo é aceito, muito do que esta la ja é vendido enquanto aqui na vida real sobrevivem o legado de postura e atitude condenável.

Será esse o futuro? Estou obsoleto? Mistério