Portas em automático

Não é novidade que em razão de minha profissão viajo muito. Seja para ir aos diversos tribunais ou mesmo esclarecer duvidas in loco, estou sempre a viajar.

Algum dia pensei em desistir de viajar no embarque?

Ate ontem isto nunca havia ocorrido, no entanto aconteceu da forma mais inesperada possivel. Cheguei ao embarque cedo como alias faco de costume e passei no raio x para depois ne dirigir ao saguão do aeroporto e aguardar o horário do voo.

Faltando uns vinte minutos para o embarque me dirigi a fila. Gosto de chegar cedo na fila para entrar logo e diminuir a chance de não poder levar a mala na cabine.

La estou na fila ouvindo uma mensagem que não é nova, informando que devido a alta lotação da aeronave as malas de mão poderiam ser despachadas sem custo.

Até ai nada demais senao a habitual indignação desse sistema injusto que cobra alto para uma mala de porão e na hora do embarque faz de graça.

A dita mensagem se repetiu umas duas ou três vezes, atenção que na quarta a funcionária da Azul complementou algo tipo gente não tem espaço na aeronave ela é pequena, é um ATR.

Segundos depois me dei conta disso e para confirmar a informação perguntei a senhora se a aeronave era aquele aviao porque na passagem estava escrito Embraer 190.

É um ATR exclamou a pessoa. Foi quando olhei para o meu marido e disse, não vou viajar. A atendente até pediu o numero do assento no entanto respondi que isso, dentre outras questões, iria tratar na loja no embarque.

Seja porque esse não foi o avião que nos foi vendido, ou porque não confio e nunca confiei nessa aeronave, optei por assumir o risco de não viajar.

Porque não viajo de ATR? Essa aeronave não é segura?

Vamos la, ainda que muitas agencias de aviação tenham dito que a aeronave é segura, o acidente da passaredo cuja apuração em tese sigilosa no entanto amplamente noticiada pela imprensa, deixou claro algumas circustâncias.

A primeira que me assusta é o fato que o principal sistema de degelo ocorre por uma bolsa inflável na asa e não pelo ar quente como ocorre no motor a turbina.

Logo, ainda que segura, é possivel dizer que de todas as aeronaves a que mais tem limitação em relação a formação de gelo na asa, seguramente e sem sombra de duvida, é essa.

Ainda que se alegue ser a aeronave segura, pois utilizada por diversas companhias pelo mundo, entendo que a utilização por si não caracteriza segurança, nem a escolha da companhia interfere nisso, afinal a voepass até o trágico acidente não tinha historia de cair aeronave como ja testemunhamos pela Latam e Gol por exemplo.

Logo os mais de trinta anos de histórico de aviação não justifica por presunção o alto índice de confiabilidade.

Pouco tempo atrás tivemos na Tam uma frota de Fokker 100 com um acidente fatal. Ou seja, aquele avião considerado seguro em todo mundo no Brasil não foi.

Ainda que a queda daquele avião tenha servido para adotar diversos outros parâmetros de seguranca; ate então pode-se concluir eram confiáveis.

Os motivos pelos quais não embarquei vao muito alem disso. Não embarquei porque subitamente me dei conta que estar seguro, significa assumir que as companhias aéreas fazem boa manutenção em seus aviões.

A manutenção adequada sugerida pelo fabricante aliado as praticas recomendadas são fundamentais para garantir o uso e segurança continua da aeronave.

No entanto e so no Brasil caem os aviões mais seguros do mundo, o ATR e o Fokker, fusquinha da aviação cairam no Brasil.

E sua utilização so existe por conta da passividade das pessoas que não tomam atitude de cobrar e mudar.

Voltando a viagem, cheguei no embarque algumas horas depois de ter que fazer o sacrifício de mudar o horário com as eventuais penalidades diante do desconforto em voar naquele aviao, perguntei ao funcionário que ali estava se o avião seria o Embraer ou um ATR como ocorreu hoje mais cedo.

Foi quando ele disse, pois é, hoje pela manhã o avião quebrou e usamos o ATR em caráter emergencial para não cancelar o voo. Ou seja, outra evidência que meu pensamento esta correto.

Afinal o avião tem mais de um circuito para seu funcionamento normal. Se não viajou certamente ambos os sistemas estavam comprometidos e isso só ocorre quando se empurra com a barriga a manutenção.

Isso também explica bem qual o grau de importância do cliente para a Azul, melhor entregar gato por lebre para dizer que prestou o serviço do que assumir o custo de reorganizar a vida dos passageiros.

Sigo fazendo a minha parte, não viajo de ATR e se todos os viajantes adotassem essa postura certamente muitos da azul não estariam circulando por ai.

Assim é que pela primeira vez não entrei em um avião, e me senti bem com isso. Me preservei e isso importa.

Fato: aviao so cai uma vez!

Também depois que embarquei na aeronave correta foi tudo alegria.

Porque não podemos acreditar nas pesquisas

Há tempos venho escrevendo sobre o motivo pelo qual não acredito em muitas das pesquisas eleitorais divulgadas no Brasil. Tenho para mim que são feitas com o único intuito de formar time e abastecer plateia, nada diferente disso. Se no Brasil já tinha essa percepção, fora dele, aumenta.

Curioso é que na hora de pesquisar, todas as pesquisas são confiáveis, no entanto, na hora de apurar, surgem fatores até então desconsiderados pela imprensa, como por exemplo o aumento crescente do percentual referente a abstenção no Estado do Rio de Janeiro. Isso, sem contar os Brancos e Nulos.

No entanto, segue a narrativa de apresentação do resultado da pesquisa como se absoluta fosse sem considerar esse desvio padrão.

E porque é importante?

Simples, não se pode dizer que alguém já ganhou presumindo que todos irão votar quando na realidade existe um percentual por vezes maior de eleitores que não comparecem para votar ou mesmo se vão acabam anulando seu voto basicamente dando um voto a mais para o mal candidato.

Muitos são os exemplos e os números comprovam isso. O universo de eleitores do Rio de Janeiro é cerca de cinco milhões de votos dos quais entre brancos e nulos soma-se aproximadamente 20%, isto sem contar o percentual de abstenção que oscila entre vinte e vinte e cinco porcento.

Vergonhoso é a eleição de um candidato com cerca de hum milhão de votos, tanto para este, quanto para os cariocas em desilusão, que não os tem como legítimo representante. Nesse contexto, qual seria a utilidade da pesquisa indicativa de vitória ou derrota de um candidato sem considerar o desvio histórico dos percentuais.

Seria para justificar a eleição de alguém sem representatividade na pesquisa, como aliás já bem vivemos isso no Governo do Estado do Rio?!

Agora imagina o que aconteceria se o povo entendesse que para mudar tem que votar, e grande parte desse percentual se revestisse em votos para novos candidatos? em duas ou três eleições no máximo qualquer das casas legislativas poderiam ter percentual elevado de seus membros trocados.

Daí porque não acredito em pesquisa, daí porque acho são todas equivocadas, não representativas da realidade democrática vivida hoje no País como um todo, e que servem unicamente para fortalecer gado e fazer platéia.

Vergonhoso isso.

Subversão é uma realidade brasileira

Não é de hoje que criei o hábito de acompanhar o Brasil (e o mundo) através das notícias. Seja porque sou Brasileiro e amo a pátria, seja porque construí nesse país um ninho, ou mesmo porque é uma das forma que temos de enxergar o mundo, através dos fatos e notícias que o acompanham. Confesso nunca foi tão difícil acompanhar as notícias do Brasil durante uma viagem para o exterior como tem sido agora.

A dificuldade reside em assimilar as notícias quando estamos em um ambiente completamente diferente. A vivencia de outra realidade nos impõe a observar os fatos com outro olhar, sem a pressão da narrativa ou mesmo a violência do cotidiano que assola todo e qualquer brasileiro.

Precisei viajar para me dar conta do quanto algumas palavras entoadas em reportagens são violentas. Isto é inimaginável no país que tem predominância da religião. Essa forma de escrever e narrar tem um efeito devastador no bem estar das pessoas. Talvez por isso muitos não acompanham, não dão importância e valor ao noticiário.

Aí é que mora o perigo. O desinteresse de uns é munição para a metralhadora verbal de outros.

Assim é que de longe percebi que o combate a subversão das instituições, tema que nos leva a refletir dos meandros da sociedade sob influencia do poder, esta de fato levando o Brasil acabar com pessoas… físicas e jurídicas.

FATO: a vida digital não nos ajudou.

Parece que hoje não mais existe a percepção em torno da transitoriedade das notícias, algo que no passado foi muito óbvio. Ainda que todas as notícias de hoje sejam o lixo digital de amanhã, porque serão esquecidas, percebo que existe um movimento de caça e aniquilação dos culpados.

Não é fácil porém vamos a exemplos práticos. Se no passado uma matéria publicada em jornal não se revelasse correta, editava-se uma errada ou sob o pretexto de direito de resposta buscava-se corrigir os fatos. Fico imaginando como seria a vida dos antigos diretores de revistas de notícias nos dias de hoje. A depender da matéria estariam presos.

De onde tirei essa ideia? simples, se alguém publica algo que não é considerado certo na mídia social (ou informativa) quem responde é o meio de comunicação. Então se alguém faz um post ideológico considerado pelo Poder Judiciário abusivo o remédio é fechar o meio de comunicação sob o pretexto de fortalecer a democracia.

Como pode uma pessoa jurídica que via de regra não comete crime, é protegida pelo interesse social em razão da atualização da Lei Civil ser objeto de tamanha sanção. Quando foi que sob pretexto de responsabilidade dos Meios de Comunicação em relação passamos a permitir debates calorosos, mal educados, violentos e sem qualquer tipo de reflexão ou sanção crítica? O caldo engrossa quando percebemos que a mesma mão que permite esse show de horror na televisão faz sanção as plataformas como se isso pudesse se sobrepor a responsabilidade de seus membros.

Ao invés de buscar reparação na atitude das pessoas, escolhemos sancionar as instituições. Se alguém publica algo no X que é ilegal, ao invés de guardar essa informação como prova processual até mesmo para sobre ela publicar uma resposta, hoje em dia tiramos a plataforma do ar.

Ficou mais fácil atacar as instituições do que as pessoas. Simples. Como não existe mais reflexão ou senso crítico sobre a vida, nosso entorno ou sobre fatos do cotidiano, melhor mandar tirar do ar mesmo. Fosse a publicação realizada no jornal, certamente esse seria guardado como prova. No entanto a predominância pela prevalência da narrativa tem imposto situações vergonhosas a pessoas que não a toa são objeto de reflexões impuras. Afinal, através delas a palavra foi emanada sem humildade, nada mais natural que a essa ação corresponda uma reação.

E foi assim que percebi que a subversão faz parte da realidade brasileira. Através delas e sob pretexto de manutenção de estruturas, anulou-se empresas e indivíduos dentro da sociedade cujo estado de normalidade passou a ser conviver com a subversão das próprias instituições brasileiras.

Os exemplos não param por aí. Hoje pela manhã li que um desembargador soltou uma pessoa porque o Ministério Público não havia sido capaz de formular uma denúncia, o que nos leva a perguntar qual a finalidade da cautelar? averiguação ou perseguição? Se um agente do estado entende que não esta correto, porque o Estado não é igualmente sancionado? porque em defesa do Estado tudo é possível e permitido.

Aí me vejo vivendo, ainda que de longe, um traço que no passado autorizou o genocídio de muitos.

Poxa Pedro você esta sendo subversivo ou questionador? até que ponto seus questionamentos são válidos e protegidos pela Constituição? aliás o que é esse livro mesmo que foi editado há mais de 30 anos atrás? Como pode alguns políticos do passado, ainda que ditadores, serem considerados estadistas no dia de hoje, em que censuramos textos históricos do folclore brasileiro e músicas sob pretexto que não são inclusivas.

Quando foi que tudo isso começou? difícil dizer no entanto fácil perceber que a educação hoje não vai criar pessoas melhores, pelo contrário, vai castrar ou subverter as pessoas que tiverem censo crítico.

A arma do cidadão é a urna. No Rio de Janeiro os meios de comunicação conseguiram adormecer uma parcela da população que é muito maior do que o número de votos de quem se elege. Ate quando?

Mesmo lugar, outro olhar…

Apesar do senso comum indicar que o peso da idade está em primeiro lugar na cabeça, sinto que esse discurso foi montado como forma de propiciar maior adoção de pessoas ao estilo de vida saudável, garantindo dentro do possivel – e se Deus permitir – melhor qualidade de vida.

Curioso é que não me sinto velho, no entanto percebo que venho todos os anos estabelecendo metas menores.

Fato: independente do peso da idade, o tempo impõe a reavaliação, por padrao, de algumas metas.

Quando isto ocorre me dou conta do que é caro ou barato, possivel ou impossível e até mesmo realizável. Tudo isso recheado pela noção que a vida passa rápido demais. Hoje ja passou, ontem é passado e o presente é amanhã.

Muito recentemente fui convidado a passar uma temporada fora do Brasil a trabalho. A decisão final não foi facil. Pesou alguns fatores, dentre eles, quanto tempo terei com meus pais? Sera que vou conseguir reconstruir algo parecido com o que tenho no Brasil em algum outro lugar?

Enquanto não tenho resposta, sigo trabalhando e acompanhando as notícias e o cotidiano da vida brasileira agora por relatos, manchetes e jornais.

Me pergunto: o que fizeram com esse pais?! Como é triste perceber, passados quarenta anos, que o Brasil não deu certo e esta longe de dar.

Um papo comum a todos na mesa é que o custo de vida no Brasil não para de subir, esta em uma escalada intensa. Parece que todos os meses a comida está mais cara, porque esta.

Para compensar a dureza que é viver no Brasil, o governo junto a iniciativa privada criou uma rede que promove espasmos de alegria.

Ou seja, mes passado tivemos um evento de gastronomia, no anterior outro focado em blogueiros e politicas americanas sob a pecha de ser inovation week, antes disso a Maddona, muito antes disso a cop20 e agora temos o Rock in Rio.

Como somos trouxa!

Afinal não existe lanche de graça. O governo esta montando em um punhado de empresas – ou amigos – que promovem festas e eventos para promover a exposição da cidade mundo a fora com qual intuito?

O de sempre manter o povo feliz. Ainda que isso empobreça as pessoas, ainda que anualmente as favelas cresçam sem qualquer tipo de estrutura do estado.

Tão rapido quanto a escalada de preços é o aumento das comunidades, das milícias, da violência, de tudo que é ruim e segue abastecido pela sua ausência.

Sim, limpar a casa não vai ser ser facil, vai demorar, vai exigir o esforço, tentativa e vamos sofrer com a incompetência de muitos outros.

Longe do Brasil é curioso como muitos defendem tanto a democracia, outros opositores a venezuela, enquanto isso no Rio de Janeiro o prefeito se elege com 1600 mil votos no universo que contempla 1700 abstenções fora 431 de brancos e 131 de nulos.

Ou seja, para mais de 2 milhões de pessoas esse prefeito nao serve. Se computar os votos do segundo colocado, para mais de 3 milhoes de cariocas esse politico não presta. ah ele tem a globo, o governo federal e uma patota que vive as custas do dinheiro publico, meu, seu, nosso imposto indireto custeia os salários permanecendo essa alcateia no poder.

Esta vendo onde a politica do pao e circo nos leva?

Tudo é feito para a gente acreditar que não consegue mudar enquanto tem uma galera se divertindo e sambando do lado de lá.

Estão errados, a indignação está ai, certo dia esses sumidos despertarao e juntos vão comecar a votar em qualquer outra pessoa que não esteja no poder, quebrando paradigmas e nos livrando desse mal.

Tomara, sigo esperançoso.

Vamos sorrir e cobrar

Se fosse possivel contar todas as vezes que a alegria se sobrepos a qualquer outra qualidade, diria que uns oito a cada dez comentários refletem isso.

Evidente que não tem mal em celebrar ou mesmo lembrar daqueles momentos passageiros, como assim faco quando o Vasco ganha ou não é rebaixado.

O problema está justamente em valorizar essa alegria esquecendo-se do nosso proposito, que não somos desse mundo, que por aqui tudo é passageiro até a existência eterna com Deus pai.

Agora entendo porque o Brasil ainda não deu certo, e francamente não tem como. Enquanto houver políticos e aspirantes se ocupando de promover shows para fazer a cidade feliz, e eventos para divulgar a felicidade como se isso nos desse credibilidade, nada vai melhorar.

Porque somos há anos prejudicados pelos alagamentos trazidos pela chuva, falta de luz, falta de agua, esgoto nem se fala, nem mesmo a tripa que se tornou o metro do Rio opera sem roubo dos cabos.

A felicidade daqueles que não querem nada além disso e trocam seu voto, sua vida e dignidade pensando em si antes dos outros, acaba no exercicio da democracia causando mais problema do que solução.

O Brasil tem que parar de criar selvagens. Respeito a lei de trânsito nesse pais não existe. E porque muitos que viajam são educados la fora?

Porque nesse ambiente hostil nada produtivo e que se consome para existir existem pessoas que so temem duas coisas, uma é o valor da conta dependendo do problema que quer criar e a outra… a Lei.

Nesse contexto é que pessoas se ofendem sem qualquer problema, porque esqueceram de amar umas as outras. Nem mesmo o peso da consciência tem para ajudar a repensar o mal que pregam aos outros.

Se não custar caro vai, ainda que seja ilegal.

Instala aí o quiosque na calçada, paga multa, muda a licença, refaz depois o alvará e gente não reclama porque o Rio bomba na vida noturna e ninguém se pergunta porque não bomba na ciencia e tecnologia, ou matemática la fora? Porque não bomba na literatura ou cinema estrangeiro? Porque fomos habituados a encarar como legal e normal tudo aquilo que nos afronta todos os dias.

Porque vivemos numa selva e ninguém fala disso?

Bem, talvez alguém venha a falar, assim espero, estou na lanterna dos esperançosos por dias melhores.