Reclame Aqui e a Medalha do Nada

Não é de hoje que somos movidos pelo poder da persuasão.

Quando se compreendem os mecanismos de gatilho, cria-se um sistema onde pessoas e instituições lucram ao nos oferecer a sensação de recompensa, e não a recompensa em si.

É mais ou menos assim que vivemos no Brasil:

Na Black Friday, anunciam um “desconto” maior do que o preço normal do mês anterior — e ainda fazemos festa achando que estamos levando vantagem.

Já aconteceu com você? Provavelmente, sim.

Isso não é novidade.

Da mesma forma que o escoteiro trabalha de graça esperando uma gratificação;

que aquele que bate à sua porta “em nome de Deus” oferece paz, benção e oração, para depois sugerir uma contribuição “compatível com a sua condição”;

ou mesmo o hippie da rosa — você recebe a rosa, e de repente se sente moralmente obrigado a pagar.

A psicologia da reciprocidade é antiga.

É simples. Funciona. E hoje é explorada à exaustão.

É justamente isso que está acontecendo no Prêmio Reclame Aqui. Já ouviu falar?

O prêmio se apresenta como reconhecimento de excelência.

Mas, na prática, é gamificação de engajamento:

Vote em dezenas de categorias — mesmo que você não conheça as empresas, mesmo que em algumas só exista um único candidato — e no final você ganha… uma medalha virtual.

Recompensando o vazio pelo nada.

Ou seja:

“Escolha o vencedor, não precisa saber quem é, clique, sinta-se eleitor… e ao final te dou uma medalha para você achar que participou de algo importante.”

Isso não é prêmio.

Não é reconhecimento.

Não é reputação.

Isto é uma vergonha.

E, num olhar mais atento, é difícil não perceber a engenharia por trás:

Empresas supostamente combinadas, categorias inventadas, subcategorias criadas para que todos possam concorrer — ou ao menos parecer que concorrem — e vencer alguma coisa.

É o famoso:

“Vamos participar da premiação do nada? Juntamos umas desconhecidas com outras, e deixamos o público decidir pelo cansaço. Quem sobreviver ao clica-clica leva.”

Nada é impossível.

Nesse país, até a bala mágica teria saído do JFK e desembarcado num acordo anticorrupção.

Segue o baile.

O país onde o crime tem voz e o cidadão é quem paga o preço

O país onde o crime tem voz e o cidadão é quem paga o preço

Não é de hoje que assisto à inversão moral que tomou conta do debate público no Brasil.

Quando o bandido mata um inocente na saída do banco, no sinal, metralha um carro ou invade uma casa, é “tragédia”.

A imprensa, porcamente, transforma o luto em audiência e a dor em manchete. Vive da tragédia e dela se alimenta.

Quem não se lembra do pequeno João Hélio?

Mas quando a polícia enfrenta facções que impedem gente de trabalhar e viver em paz, vira “extermínio”.

Curioso é que nem o povo — refém do próprio bandido — endossa essa narrativa.

Por quê?

Em que momento o Estado falhou tanto que deixou de dar a essas pessoas a chance de enxergar que podem ser dignas de uma nova vida — ou ao menos de uma vida civilizada?

Fato: o Brasil é o país onde o criminoso ganha rosto, história e empatia — e a vítima, um número numa planilha.

José Vicente da Silva Filho, Miriam Leitão, Gleisi Hoffmann, Lewandowski e tantos outros adotam, cada qual à sua maneira, o mesmo discurso polido, o mesmo tom professoral, a mesma fórmula vazia:

“É preciso conter os abusos.”

“Respeitar o Estado de Direito.”

“Evitar a escalada da violência.”

Todos confortavelmente instalados em seus cargos, cercados de assessores, motoristas e seguranças.

Bonito no papel. Cômodo na consciência. Mas inócuo — e perigoso.

O Estado de Direito que defendem já foi sequestrado.

E, por ironia, esse discurso “civilizado” parece endossar o próprio caos institucional em que vivemos — apenas com outra narrativa.

Não foi a polícia quem sequestrou o Estado.

Foi o crime organizado, que dita toque de recolher, cobra pedágio e veta a liberdade do cidadão.

Decide em quem se vota, onde se compra o gás, quanto se paga na TV a cabo e qual operadora de telefone o morro vai usar.

O verdadeiro abuso é o da omissão.

É a covardia de quem se refugia em códigos e tratados enquanto o povo sangra nas ruas.

Duvido que algum deles tenha coragem de andar de janela aberta, com o celular na mão e relógio no pulso, num carro comum, atravessando o Rio de Janeiro.

Quando um policial reage, é manchete.

Quando uma criança é baleada por traficante, é rodapé.

Essa seletividade moral é o retrato da elite brasileira — cercada por muros e escoltas — que ainda tem a pretensão de ensinar ética a quem dorme com o barulho dos tiros.

É confortável ser garantista quando se vive blindado.

Difícil é defender o trabalhador que acorda cedo, atravessa território dominado por facção e reza para voltar vivo — ou que se acostuma a andar cercado por gente armada oferecendo tudo em troca de apoio.

Esse, o Brasil progressista e acadêmico prefere ignorar.

Não cabe na narrativa.

E assim seguimos: reféns de um moralismo seletivo que protege quem oprime e condena quem protege.

Quando o criminoso morre, é luto nacional.

Quando a polícia vence, é “violência do Estado”.

Quando o cidadão morre, é só mais uma estatística.

E quando o Judiciário reage apenas pela manchete do jornal, é só mais um capítulo do esgoto que chamamos de normalidade.

Segue o baile.

O circo da picanha e da Madonna

Lula atravessa o mandato inteiro falando da COP30, da China, dos BRICS, do AeroLula velho, da alegria e da picanha ao povo.

Enquanto isso, Eduardo Paes transforma o Rio de Janeiro em um grande circo — show da Madonna, Lady Gaga, Innovation Week e o que mais garantir manchete e aplauso. De prefeito se tornou papagaio de pirata.

Comum a ambos é o ritual de subir o morro e pedir voto ao cidadão — traficante ou não, todos são eleitores.

A violência no Rio, curiosamente, não existe no Natal, no Ano Novo e no Carnaval.

Durante a semana, o RJTV se limita à repetição das mesmas matérias, os mesmos números, as mesmas promessas. Problema é tao conhecido quanto a omissão do Poder Publico.

Quando se enfrenta a violência, o problema é sempre da polícia e do governador.

Quando o bandido morre, o importante passa a ser o direito humano.

Violencia no Brasil se tornou sinônimo de democracia.

Enquanto isso, a Justiça — essa suposta defensora da democracia — prende e solta com a mesma velocidade. Inocente culpado, culpado inocente. Lei violada, lei aplicada. Resultado pratico esta ai.

Palestra, simpósio, congresso, ISO nove mil e muitos e a credibilidade abaixo do nível do mar. Não a toa se preocupam mais em quem vai ser indicado a ministro do que cobrar efetivamente algo do Poder Judiciário.

Anos se passam, e os bandidos continuam soltos: alguns de colarinho branco, outros do pó branco, sem contar a gangue da maconha, devidamente legitimada e tributada, afinal, a onda não faz mal a ninguém.

E assim segue a realidade carioca: uma mistura de cinismo, covardia e demagogia.

Enfrenta-se o crime organizado na favela, e o socialista de iPhone da Zona Sul resolve não ir à aula no dia e faltar o dia seguinte. Consciência pesou? Não tem clima para o projeto social?

São muitos os covardes nessa história — sobretudo aqueles que vivem dessa pobreza institucional, fabricada para servir de desculpa: para faltar ao trabalho, para justificar o medo, para reclamar da falta de segurança e para ganhar dinheiro!!!

E o Rio segue sendo o mesmo espetáculo, com seus atores de sempre e suas plateias distraídas.

Afinal, será que hoje tem Jeep Tour na Rocinha?

Ou melhor prender quem enfrenta o sistema?

Entre Sócrates e o Pix Orçamentário, segue o Brasil estagnado.

Ando tentando me desligar do telefone. Não é novidade para quem de perto me acompanha. Em especial do fluxo de notícias incessante. Também pesa o fato que em sua grande maioria muitas repetem outras, nada tem de novo a acrescentar.

Pior, esse lixo nos impede de pensar.

No que diz respeito a politica, imagino que uma pessoa eleita, com mandato, deveria justamente fazer o oposto ao que se apresenta hoje. Trabalhar mais, postar menos. Talvez so assim conseguiremos ter gente pensando o Brasil a longo prazo.

Como isso parece não existir, ainda que em pleno voo, me deparei com uma notícia estarrecedora: “Motta pede ao governo liberação de emendas para melhorar o clima na base aliada.”

Fato: Nada de novo sob o sol de Brasília.

No Brasil, o “clima político” é, na verdade, um eufemismo para distribuição de renda pública entre grupos de interesse. Emenda secreta, aberta, parlamentar, no teto ou fora dele.

Esse parece ser o único interesse

Dane-se o povo.

Me recordei do dia que fui a Tiradentes, em seguida me dirigi a cidade próxima para ir ao memorial Tancredo Neves. Apesar da pouca idade, torci por ele e chorei sua perda.

Anos depois entendi a complexidade do que vivemos, e o memorial sua obra viva, contem registro jornalístico do momento. Algumas manchetes sao atuais, o que mostra perdemos o drive na reforma do pais e melhora na qualidade de vida.

FATO: A política deixou de ser um espaço de ideias para se tornar um mercado de influências.

Sera que o esforço dos mais de 130 milhões de pessoas foi em vão? Aquele um em cada seis brasileiros que protagonizou um movimento sem precedente ficou na beira da estrada?

O que aconteceu com o plano de desenvolver o Brasil?

Se foi. Essa é a reflexão de hoje.

Não há plano de governo de longo prazo, não há ideal de Estado — há apenas a luta por fatias do orçamento e projetos medíocres, concebidos para durar quatro anos e alimentar reeleições.

Parlamentar mediocre, projeto mediocre. Simples assim.

Se o Legislativo funciona assim, como esperar que o Executivo e o Judiciário escapem da mesma lógica?

Um administra crises, o outro se expande em protagonismo político. E o cidadão comum observa tudo, anestesiado.

Pensar diferente virou crime de opinião.

Tenho o desejo e expectativa legítima de ver o país funcionar por mérito, justiça e visão de futuro.

Vamos começar?

Precisamos de mais Sócrates, mais Juscelinos — e até uma pitada de Getúlio Vargas — para repensar o Estado brasileiro com coragem e propósito.

E mandar muito politico e algumas instituições para rua.

Para mudar, é PRECISO VOTAR !!!!!

🕊️ O Prêmio, a Dinamite e a Democracia de Pólvora

Muito se comentou nesta semana sobre os indicados ao Prêmio Nobel.

Tamanho foi o fuzuê que me instigou duas perguntas simples: qual a real importância dessa premiação?

Aliás, quem foi mesmo esse cidadão?

Foi então que me dei conta do absurdo que ela representa — e de como se parece com a democracia brasileira.

Ambos são destrutivos.

Alfred Nobel enriqueceu às custas da destruição de vidas.

Licenciava a patente de explosivos para governos e mantinha fábricas ao redor do mundo.

Não há paz nisso, definitivamente.

O prêmio, após sua morte e ao longo dos anos, serviu-lhe como redenção.

Tenho dificuldade em compreender como o dinheiro sujo da pólvora, que de tantos tirou a vida, pode ser objeto de qualquer celebração.

O Brasil, por sua vez, parece se esforçar para ser candidato natural a esse mesmo tipo de prêmio — mérito próprio.

Pegou a arma e fez uma adaptação política, vendendo ao povo a ideia de “ordem e progresso”, hoje reciclada sob o rótulo de “defesa da democracia”.

Tudo uma farsa.

Por trás do roubo do aposentado, dos penduricalhos, das emendas secretas, do “louvo a mandioca”, do “estoque de vento” e de tantos outros absurdos, a paz está longe de chegar.

Não à toa, vemos ministros se aposentando nove anos antes do tempo — e a fila, pelo visto, só tende a aumentar.

Por óbvio, o Judiciário, ao chancelar esses comportamentos, acabou se vendo no espelho.

O verniz da propaganda de “segurança”, “estabilidade jurídica” e “institucionalidade” não resiste ao sopro do que é certo.

Ambos — o prêmio e o país — usam as guerras que fomentam para depois premiar a paz.

E por onde ando vejo o mesmo retrato: mais pessoas nas ruas, mais fome, mais miséria, e um exército de políticos disputando quem aparece mais — alguns aos berros — para supostamente aliviar a dor do povo.

Seguimos, então, premiando inúteis: aqueles que, essencialmente, nos ferem.

Gasta-se dinheiro público com festivais de música, enquanto o estudo, a leitura e a pesquisa continuam relegados.

Defendem pautas ambientais como se importassem com o planeta, mas sequer asseguram luz, água e saneamento a quem vive no estado.

Não é só o prêmio que merece reflexão.

Por trás de suas atitudes, Nobel tentou, ao final da vida, apagar atos reprováveis ou inconvenientes — algo que também está em alta por aqui.

Muitos preferem apagar a própria história em vez de enfrentar o que fizeram.

Nem a Justiça escapa.

Manda excluir, na cara dura, um post que desagrada, em vez de publicar uma errata e deixar o registro do erro como aprendizado.

Apaga a prova depois de julgar — e ainda chama isso de evolução.

Talvez isso explique o cansaço de alguns magistrados.

E, sinceramente, o quanto estou preocupado…

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