🕊️ O Prêmio, a Dinamite e a Democracia de Pólvora

Muito se comentou nesta semana sobre os indicados ao Prêmio Nobel.

Tamanho foi o fuzuê que me instigou duas perguntas simples: qual a real importância dessa premiação?

Aliás, quem foi mesmo esse cidadão?

Foi então que me dei conta do absurdo que ela representa — e de como se parece com a democracia brasileira.

Ambos são destrutivos.

Alfred Nobel enriqueceu às custas da destruição de vidas.

Licenciava a patente de explosivos para governos e mantinha fábricas ao redor do mundo.

Não há paz nisso, definitivamente.

O prêmio, após sua morte e ao longo dos anos, serviu-lhe como redenção.

Tenho dificuldade em compreender como o dinheiro sujo da pólvora, que de tantos tirou a vida, pode ser objeto de qualquer celebração.

O Brasil, por sua vez, parece se esforçar para ser candidato natural a esse mesmo tipo de prêmio — mérito próprio.

Pegou a arma e fez uma adaptação política, vendendo ao povo a ideia de “ordem e progresso”, hoje reciclada sob o rótulo de “defesa da democracia”.

Tudo uma farsa.

Por trás do roubo do aposentado, dos penduricalhos, das emendas secretas, do “louvo a mandioca”, do “estoque de vento” e de tantos outros absurdos, a paz está longe de chegar.

Não à toa, vemos ministros se aposentando nove anos antes do tempo — e a fila, pelo visto, só tende a aumentar.

Por óbvio, o Judiciário, ao chancelar esses comportamentos, acabou se vendo no espelho.

O verniz da propaganda de “segurança”, “estabilidade jurídica” e “institucionalidade” não resiste ao sopro do que é certo.

Ambos — o prêmio e o país — usam as guerras que fomentam para depois premiar a paz.

E por onde ando vejo o mesmo retrato: mais pessoas nas ruas, mais fome, mais miséria, e um exército de políticos disputando quem aparece mais — alguns aos berros — para supostamente aliviar a dor do povo.

Seguimos, então, premiando inúteis: aqueles que, essencialmente, nos ferem.

Gasta-se dinheiro público com festivais de música, enquanto o estudo, a leitura e a pesquisa continuam relegados.

Defendem pautas ambientais como se importassem com o planeta, mas sequer asseguram luz, água e saneamento a quem vive no estado.

Não é só o prêmio que merece reflexão.

Por trás de suas atitudes, Nobel tentou, ao final da vida, apagar atos reprováveis ou inconvenientes — algo que também está em alta por aqui.

Muitos preferem apagar a própria história em vez de enfrentar o que fizeram.

Nem a Justiça escapa.

Manda excluir, na cara dura, um post que desagrada, em vez de publicar uma errata e deixar o registro do erro como aprendizado.

Apaga a prova depois de julgar — e ainda chama isso de evolução.

Talvez isso explique o cansaço de alguns magistrados.

E, sinceramente, o quanto estou preocupado…

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O Mar de Náufragos em que Vivemos

Hoje pela manhã, trafegava pela rua Tonelero, em Copacabana. Reduzi a velocidade e parei tranquilo no sinal amarelo. Ao olhar para o lado, me deparei com uma cena que imediatamente me remeteu ao cinema.

No filme, o protagonista sobrevive a um acidente aéreo e acaba isolado em uma ilha deserta. Lutava contra a solidão e contra a natureza para permanecer vivo.

Na rua, diante de mim, dois corpos escondidos sob um lençol, exceto pelo pé de um deles. Náufragos urbanos, sobrevivendo em um ambiente tão hostil quanto uma ilha perdida. Talvez até mais duro: a pedra portuguesa pode ser mais inclemente que a areia.

À frente deles, um caderno espiral branco, abandonado. Perguntei-me quais sonhos ou necessidades poderiam estar ali registrados. Lembrei do privilégio de ter um caderno novo na escola e me questionei: em que momento perdemos a importância de escrever, de sonhar?

O mar de náufragos não se restringe a quem vive nas ruas. Ele inclui também os que trabalham sem conseguir acumular, sem férias, sem previdência ou saúde complementar, parece que só trocam dinheiro. Sobrevivem apenas do salário — e por isso vivem à deriva.

No Brasil, poucos não são náufragos.

E o que mais entristece é perceber como muitos afortunados ou que se dizem da elite escolhem navegar sozinhos, ignorando o próximo, passando por portas abertas sem um cumprimento, como se carregassem um rei na barriga.

Enquanto isso, a maioria segue à mercê da maré.

O recado que faltava ser dado

Esse recado vai incomodar muita gente, melhor ver antes que seja obrigado a apagar. Isso resume um pouco do momento difícil que hoje vivemos, e tem gente que ainda acredita em liberdade como eu acredito em duende.

liminar@unimedrj.coop.br o símbolo da impunidade no atendimento à saúde

Volta e meia vivemos situações hoje que coincidem com fatos do passado. Apesar de muito escrever sobre isso, quando as vivo, tenho um misto de ressaca e tristeza.

Foi assim que hoje acordei recordando o bom e sempre atual ensinamento aos formando da faculdade de direito por Rui Barbosa, conhecido por Oração aos Mocos segundo o qual afirmou “Justiça tardia não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta”.

Certo dia acordei vivendo indiretamente essa hipótese. Como seguir e entender que o meu trabalho, ainda que tenha resultado em uma liminar para salvar uma vide não surtiu efeito eis que a pessoa faleceu no cumprimento da ordem judicial depois de tanto esforço.

Somente a fe pode me ajudar a entender o ocorrido. Ao invés de olhar pelo lado humano da perda e da demora ao cumprir uma liminar que se equivaleria seguir o caminho fácil, entendi pela porta estreita que a pessoa foi diretamente conduzida a salvação. A solução foi a mais difícil e de mais valor, que nos orienta e nos reeduca a ser melhores em tudo.

Sobretudo amar ao proximo como a si mesmo todo o dia como se não houvesse amanhã.

Quanto ao caso em si, realmente a Unimed é uma vergonha nacional. Imagina voce a cooperativa utiliza um canal institucional exclusivo para o recebimento de liminar. Ou seja, da a impressão que so cumpre o que realmente é obrigada a fazer. Não foi por outro motivo que a segurada precisou ir ao tribunal para obter uma liminar.

Não é crível admitir que uma segurada precisou que a justiça fosse acionada 15 horas depois para ter um atendimento minimamente digno. De igual forma não pode atrasar em virtude de equipamento quebrado. Espera-se o mínimo de redundância em uma atividade cujo risco é a morte.

Fato: a Unimed parece que nega ou adia internação e exame caro na certeza de quando intimada vai cumprir a ordem judicial.

Essa seletividade perversa faz criar uma fila, quem primeiro se mexe leva. E quem morre no caminho como fica?

Também estranho ver como a justiça no cotidiano aceita esse expediente que certamente demonstra o descumprimento sistemático de Lei sem impor a eles uma multa de modo a desestimular essa conduta. Se a multa fosse pesada, se alguém fosse responsabilizado na física o tomador de risco agiria diferente.

Sob qualquer ponto que se olhe a questão é inevitável reparar que o contrato não foi adequadamente cumprido. Do que vale escrever livro sobre a dignidade da pessoa humana, função social do contrato, quando o maior cobrador é leniente a essa pratica.

Em última analise o email liminar@unimed mostra sem sombra de duvida que a operadora se falida não estiver prestes vai estar. Mostra que a mesma prefere brigar antes do cumprimento voluntário do contrato. Voce segurado dessa operadora esta fadado a burocracia infinita que tem por resultado sobrecarregar o judiciário para conseguir alguma coisa.

Tudo isso mostra o quanto não é confiável o cooperado e o sistema de saude no Brasil a par da mediocridade dos que defendem e sem também contar os que se enriqueceram e ate se aposentaram as custas desse acidente.

Ainda assim espero que dias melhores virão

E por corretores de seguro mais responsáveis na venda e indicação de produtos.

Reflexões de um coração que insiste

No mundo de hoje, percebo que está cada vez mais difícil sustentar, o tempo todo, um comportamento marcado por cuidado, respeito e cortesia nas relações pessoais. Não é à toa que, todas as manhãs, reservo um breve minuto religioso para pedir a Deus discernimento e sabedoria diante da nossa existência falha.

Ao longo dos anos escrevendo aqui, notei que nunca publiquei um texto descrevendo de forma clara um ato de bondade explícita. Antes que alguém atire a primeira pedra, reconheço que isso se deve ao fato de este espaço ser, sobretudo, um território de reflexão introspectiva — e eu sou um crítico de mim mesmo.

O que não falta neste blog são episódios de autoconhecimento e experiências autênticas. Por ser tão pessoal, evitei descrever e personificar gestos de ajuda, consolo ou elogio a outras pessoas. Ainda assim, sei que eles existem.

Sou grato por ter aprendido a dizer “não” quando necessário, como um ato de respeito e valorização de mim mesmo. Nesse caminho, percebo que o cuidado comigo tem prosperado. No texto De olhos bem abertos, escrevi sobre o hábito de ajudar o próximo e sobre como, sem perceber, muitas vezes já estou administrando o problema alheio. Em A melhor versão de mim, compartilhei a importância de estabelecer limites para proteger meu tempo e energia — um gesto de bondade comigo mesmo. Em Mudanças que começam dentro…, convidei o leitor ao diálogo e à compreensão de quem sou. E, em Fatos e fotos, confessei ter me entregado novamente ao amor, depois de algumas derrotas.

Esse calor, mesmo em um coração que já foi petrificado por cicatrizes profundas, me move. Através da gentileza de amar, procuro ser melhor.

Já vivi momentos marcantes, como a experiência simples e reveladora de uma padaria e doceira, onde enxerguei a cidade como ela realmente é. Aprendi, também, que vivo constantemente racionalizando a vida — um pecado, talvez. Demorei a entender que não é preciso temer a morte: basta acreditar em Deus e tentar viver próximo de Seus ensinamentos.

Por aqui, continuo firme no convite ao diálogo interno, sempre acima da defesa de bandeiras ou pautas. Elas não me definem — e não precisam definir você.

Write about a random act of kindness you’ve done for someone.