Muito se comentou nesta semana sobre os indicados ao Prêmio Nobel.
Tamanho foi o fuzuê que me instigou duas perguntas simples: qual a real importância dessa premiação?
Aliás, quem foi mesmo esse cidadão?
Foi então que me dei conta do absurdo que ela representa — e de como se parece com a democracia brasileira.
Ambos são destrutivos.
Alfred Nobel enriqueceu às custas da destruição de vidas.
Licenciava a patente de explosivos para governos e mantinha fábricas ao redor do mundo.
Não há paz nisso, definitivamente.
O prêmio, após sua morte e ao longo dos anos, serviu-lhe como redenção.
Tenho dificuldade em compreender como o dinheiro sujo da pólvora, que de tantos tirou a vida, pode ser objeto de qualquer celebração.
O Brasil, por sua vez, parece se esforçar para ser candidato natural a esse mesmo tipo de prêmio — mérito próprio.
Pegou a arma e fez uma adaptação política, vendendo ao povo a ideia de “ordem e progresso”, hoje reciclada sob o rótulo de “defesa da democracia”.
Tudo uma farsa.
Por trás do roubo do aposentado, dos penduricalhos, das emendas secretas, do “louvo a mandioca”, do “estoque de vento” e de tantos outros absurdos, a paz está longe de chegar.
Não à toa, vemos ministros se aposentando nove anos antes do tempo — e a fila, pelo visto, só tende a aumentar.
Por óbvio, o Judiciário, ao chancelar esses comportamentos, acabou se vendo no espelho.
O verniz da propaganda de “segurança”, “estabilidade jurídica” e “institucionalidade” não resiste ao sopro do que é certo.
Ambos — o prêmio e o país — usam as guerras que fomentam para depois premiar a paz.
E por onde ando vejo o mesmo retrato: mais pessoas nas ruas, mais fome, mais miséria, e um exército de políticos disputando quem aparece mais — alguns aos berros — para supostamente aliviar a dor do povo.
Seguimos, então, premiando inúteis: aqueles que, essencialmente, nos ferem.
Gasta-se dinheiro público com festivais de música, enquanto o estudo, a leitura e a pesquisa continuam relegados.
Defendem pautas ambientais como se importassem com o planeta, mas sequer asseguram luz, água e saneamento a quem vive no estado.
Não é só o prêmio que merece reflexão.
Por trás de suas atitudes, Nobel tentou, ao final da vida, apagar atos reprováveis ou inconvenientes — algo que também está em alta por aqui.
Muitos preferem apagar a própria história em vez de enfrentar o que fizeram.
Nem a Justiça escapa.
Manda excluir, na cara dura, um post que desagrada, em vez de publicar uma errata e deixar o registro do erro como aprendizado.
Apaga a prova depois de julgar — e ainda chama isso de evolução.
Talvez isso explique o cansaço de alguns magistrados.
E, sinceramente, o quanto estou preocupado…

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