Sintonia ou vida como ela é…

Alguns filmes tem relevância quando retratam a vida realisticamente falando. Nos prendemos no enredo sempre que assistimos algo que suponhamos ser a verdade nua e crua.

Assim é que aceitamos também a vida como ela é. Depois de Jesus não temos ingerência sobre os fatos que nos desafiam, nos alegram ou entristece, enfim de tudo que nos mostra que nessa vida coisas acontecem diferente do que gostaríamos.

Deixando o desapego desse plano existencial de lado, me deparei com uma serie no Netflix chamada Sintonia.

Não é confortável, não é legal e pelo que vivi distribuindo pão para famílias que estão em condições de vulnerabilidade, ocorre com mais frequência do que se imagina.

Nos que temos liberdade intelectual, financeira e nos damos o luxo de querer melhorar a vida de outros através do trabalho somos sim uma exceção ao que se tornou o plano de desenvolvimento do Estado Brasileiro.

Não a toa os serviços públicos são ruins e os governantes ao invés de tomar uma atitude concreta para resolver isso optam pelos shows, por entreter o povo que paga a conta, afinal não há lanche de graça.

E a Sintonia mostra bem isso, por traz do enredo tem gente que gostaria de mudar e não muda porque aprendeu a ser assim, seja viver no erro ou do erro, são reféns sem alternativa.

Existem outros que buscam trabalhar e a partir dessa premissa se profissionalizam, e por fim tem aquele cidadão que pretende entrar na fila, estudar, seguir o método tradicional de ensino ha muito desconectado da realidade para escalar e chegar a uma relação de trabalho institucionalizada.

Isso é que retrata o filme, situações que eu advogado não trabalhei, abri mão, la não estive sem julgar ninguém porque convicto que espaço para minha visão sempre ha.

O caldo engrossa quando a gente ve por ai pessoas ricas, que não necessariamente precisam e deveriam seguir esse caminho e assim o fazem, isso é surreal.

Quando o errado vem de cima, fico abismado, quem sou eu para julgar os outros, Deus fará isso, agora tenho sim liberdade de escolha para trabalhar com quem quiser e advogar, ou não, nas causas que acredito.

Esse é o ponto da sintonia, todo mundo quando deita a cabeça a noite vive o reflexo das escolhas e do caminho que trilhou em dia.

Queria mudar essa sintonia ruim de politica e sociedade brasileira, como está, não esta legal.

Sao Valentim hoje e sempre!

De tempos em tempos percebo por sinais da vida o quanto é precioso a liberdade de agir, pensar, trabalhar, enfim, viver.

Isso se repetiu no dia de Sao Valentim.

Ainda que não sejamos todos iguais, porque em meio a tantas pessoas éramos os únicos gays?

Homem em bar com mulher dançando na pista ao lado, mesas com homens de um lado e mulheres no outro, casais jovens e idosos na pista com passinhos e… nós, quase no estilo John Travolta.

Sim, me diverti muito, não tive medo nem sofri preconceito, só chamou mesmo atenção o fato que éramos os únicos ali e talvez por isso haviam alguns olhares que entendo, afinal, destoamos daquele padrão.

Porque fomos os únicos? Porque outros casais não estiveram la? Estariam no gueto? Ou com receio? Não sei a resposta, sou grato por ter tido uma experiência tão boa, única e feliz com meu marido e eterno namorado.

Wicked, antes de julgar melhor pensar…

Todos os dias lidamos com fatos que refletem a dura realidade. Como se isso não bastasse, não fosse suficiente, temos ainda o agravamento dessa situação quando o modo Wicked entra em ação.

Esse modo entra em ação sempre que ocorre a manipulação de massa, tem alicerce na imprensa e na rede de TV.

Acontece mais ou menos assim, publica-se uma noticia tendenciosa que entra na pauta do canal de televisão em suposto debate que conta na maioria das vezes com a opinião de… um especialista!

Muito chato isso. A discussão é tendenciosa e se faz para impor determinado pensamento sobre o assunto que se esta a pautar.

Assim é que a justiça, lenta, morosa e tardia culpa e discute-se a regulação da mídia social ao invés de imputar sanção valendo-se da prova que ali existe.

Não, isso no Brasil não pode.

Melhor mandar apagar, tirar do ar do X ao Facebook, tik tok, não importa, a vida para esse mágico de oz se resume a apontar o dedo para alguém e fazer todo mundo julgar.

Assim é que a Lava Jato arregimentou milhões de seguidores, todos sedentos por justiça, foram por dias, meses e anos levados a acreditar que tudo aquilo era legitimo, verdadeiro e real.

O mágico de oz foi desmascarado na Vaza Jato quando enfim uma parcela do Brasil se deu conta que existia uma rede paralela de troca de informação que certamente influenciou ambos os julgamentos, da justiça ao povo.

Isso o Poder Judiciário não apaga.

Corre atrás de apagar a prova do suposto crime de quem fala o que pensa porque a história e a narrativa tem que ser uma só.

O Brasil não é o pais de dogma, admite somente a verdade absoluta de quem diz, afirma ou é especialista.

Tudo chato demais. Existem muitos mágicos de oz no nosso entorno, pense nisso antes de julgar.

Estabilidade Emocional: O Mito do Homem Equilibrado

Não é de hoje que percebo ser o Homem Equilibrado um conceito trazido para justificar uma, ou algumas posições politicas, ou até mesmo implementar ideologia. Ainda que esteja cansado desse mi mi mi que torna tudo uma ideologia, e pode até ser que não seja, resolvi sobre isso escrever.

Esse conceito, assim como o pecado, estão bem presentes no dia de hoje. É comum ler que devemos sempre manter a calma, não brigar, mediar, dialogar as frustrações e buscar soluções. Nesse contexto, surge o Homem Equilibrado como uma pessoa independente, que goza de estabilidade emocional, mental, dentro e fora de casa.

São diversos tipos que surgem narrativa do cotidiano a fora, e que possuem características semelhantes, algumas até de heróis.

No entanto, é da vida real que se vive, e viver não é mole não, tampouco estável. Logo essa imagem de estabilidade aliada ao equilíbrio não combinam com o habito de lidar com as diversas circunstâncias diárias. Ao que percebo, se alguém destaca-se por ser honesto, por não roubar, por não fazer mal ao próximo e até mesmo ser bravo, este não é um exemplo de homem equilibrado e sim do homem cristão.

Então o que percebo é o aumento de pessoas que adoram criar status de entidade para definir, elogiar ou até mesmo justificar outros.

Isto não é legal e não é de Deus. E sim, Deus esta acima de tudo e todos, sempre, ainda que esquecido pela grande maioria que o procura quando em apuros. Muitos sequer param 5 minutos para rezar e buscar estar próximo do Pai. A verdade é que a prática religiosa diária muito nos ajuda e nos fortalece independente do viés politico da pessoa, seja de direita seja de esquerda ou até mesmo seja ela sem lado (ou em cima do muro).

No entanto, parece que rezar ofende e manter-se na fé pior ainda para aqueles que dela usam para criticar alguém. Canso de ler frases do tipo “só pode ser um evangélico” ou “esse pessoal da igreja” para agredir, dizendo que a estabilidade esta em outro lugar ao invés de aceitar que no fundo somos todos iguais.

Quando foi que me dei conta disso? quando entendi que estava vivendo minha natureza afetiva para me relacionar com um homem. Foi quando no pequeno grande mundo dos medíocres passei a ser julgado. Não raro leio e escuto de pessoas próximas que sou legal, no entanto, se perguntado o que fariam se o filho fosse gay dizem graças a deus que isso não aconteceu na minha família.

Também muitas foram as vezes que em reunião escutei um desculpe lá, isso é coisa de boiola, no intuito de gerar desgaste e instabilidade. Nada disso me atinge no entanto vale aqui a reflexão, se muitos acham que os jornais, as notícias e as opiniões com base em pessoas centradas ou equilibradas é a solução, desconfie. Não existe nada de centrado nisso. A imposição dessa ideologia de equilíbrio como meio a pacificação do Brasil colide com o conceito de freio e contrapeso, mecanismo de harmonização dos poderes cuja origem esta no fato que são, assim como nós, desequilibrados, logo um anula o outro (e nada se decide e faz) para que todos sejam iguais.

Não a toa o eletrocardiograma é composto de altos e baixos exceto quando morto fica bem equilibrado.

Prefiro essa realidade, de errar e acertar, evoluir e entender o que é melhor do que me pautar por aqueles que pregam sobretudo o Homem Equilibrado.

No way out, but then again…

Volta e meia nos vemos em situações difíceis de resolver. Parece que não é permitido ser feliz ou simplesmente trabalhar em paz. Há sempre alguém subversivo que causa disrupcao no dia e nos processos. Isso não é bom nem é do bem, me faz mal, termino o dia sugado.

Bem, sou pago para escutar e mediar. Sempre. E o mundo atual é por demais de complexo. Parece ser mais fácil cobrar de alguém pelos seus erros do que enfrentar a realidade com a complexidade dos fatores que existem em torno das atitudes e fazer um exame de consciência do que está certo e errado.

Estava desde o segundo dia do ano nadando contra a maré. Cansado, sim, sozinho, nunca. Deus em primeiro lugar e todos ao lado exatamente como estiveram no dia que ele se afastou para olhar de longe e dizer quem eram os escolhidos:

Realmente escutei muito e nada falei, entendo que para ser irmão é preciso ser honesto e nesse particular nem tudo que se ouve deve ser passado. As vezes estamos em uma posição de escutar e nada alem disso para depois mediar a solução do conflito. Nosso ativo não é falar, é servir de instrumento para um bem maior. Ainda que no caminho sejamos pisados.

Hoje fui mediar o tal problema. Horas depois o inflexível diante das informações disse que não havia problema em reconsiderar sua decisão.

Engana-se quem pensa que uma pessoa incidida no erro muda de opinião simplesmente porque considera repensar. Naquele momento, o que verdadeiramente ocorreu foi que Deus operou outro milagre e tocou no coração duro e inflexível da pessoa cujos desejos seriam, na falta de composição, plenamente aceitos.

Aprendi nessa jornada a lutar e seguir, mesmo diante do comportamento destrutivo, justamente por confiar e acreditar. Com isso vou até onde não sou chamado para defender as partes de si mesmas.

No fim do dia consegui avançar, posso ser bom, tenho certeza que foi ele, só ele, sempre ele.

Obrigado Deus por mais esse testemunho.