Quem ainda tem um dia tipicamente normal?

A pergunta é interessante. Gostaria que fosse simples de responder — e, no entanto, ultimamente venho me questionando o que seria, de fato, um dia tipicamente normal para mim.

Ainda que a normalidade não exista em sentido estrito, gostaria que meu cotidiano se encaixasse dentro de um espectro de situações comuns a todos, por vários motivos. Entre eles, a segurança de viver e ter algum controle sobre os acontecimentos, o que, por sua vez, ajuda a reduzir a ansiedade. Confesso, porém, que minha ansiedade persiste. Tento canalizar essa energia para a dieta e a academia. Quero envelhecer bem — fazendo exercícios e, muitas vezes, morrendo de fome.

Um dia previsível, controlado e seguro tende a despertar também um sentimento de pertencimento. Afinal, quando meu dia se assemelha ao de alguém, ele acaba ganhando um valor a mais — torna-se mais especial.

A conjunção desses fatores forma o alicerce da estabilidade emocional. É isso que me protege do medo do caos.

Mas qual é, então, o problema?

Vivemos em meio a um caos involuntário. Não importa o que façamos, seremos sempre atingidos — pelo humor, pelas decisões, pela especulação de terceiros.

A nova realidade nos obriga a buscar soluções diferentes, muitas vezes não convencionais, diante da exaustão provocada pelos caminhos antigos.

Começo a achar que “dia típico” é uma utopia.

Meu dia é tudo, menos típico. A realidade que enfrento é feita de questões complexas, algumas perturbadoras.

Felizmente, mantenho tipicamente o hábito de escrever aqui — mais do que gravar. Talvez isso seja meu maior ponto em comum com outras pessoas.

Escrever, no fim das contas, é o que mais me aproxima do que pode ser considerado típico para todos nós.

Escrever e agora celebrar o fato que consegui perto dos 50 chegar a minha melhor versão! Enfim magro. Nada típico, nada fácil porem com a rede de apoio que criei com meu marido e muitos que nos assistem no foco a dieta e exercício, esta dando certo.

Melhor desejar bom dia a todos, abaixo a tipicidade. Somente assim sabemos que estamos próximos de Deus, pequenos e humanos.

Tipicamente feliz

Was today typical?

Nespresso Vertuo: minha saga com 3 máquinas problemáticas

A Nespresso aprendeu rápido e pegou carona na filosofia de ofertar ao consumidor o que ele não precisa para depois deixar refém do produto.

Assim foi com o modelo tradicional e suas capsulas exclusivas para o paladar ate mesmo do mais exigente.

Para manter o cliente fidelizado vale tudo. No inicio, a aquisição de um numero determinado de capsulas dava direito a desconto em maquina. Depois quem assinava o clube ganhava capsula.

Resultado, a cultura do café até então inexistente na minha vida passou a existir de forma ostensiva.

Depois de muito tempo surgiu novo modelo de capsula que fazia um cafe cremoso através do giro em alta rotação.

Nossa, que delicia. Não demorou comprei a primeira.

Não é que o café é gostoso. Rapidamente me tornei fan dessa tecnologia e passei a divulgar a todos porque incorporada foi na minha vida.

Rápido chegou rapidinho se foi. Pouco mais de tres meses depois a maquina enguiçou. Comprei a segunda que um mês depois quebrou.

O reparo foi uma catástrofe.

Imagina voce deixar um produto novo para conserto e receber o mesmo arranhado ao que presumo pelo transporte.

Nem pensar.

Essa história esta longe de terminar.

As duas primeiras maquinas funcionaram mal, uma foi substituída e outra reparada. A empresa teve a ousadia em dizer que um lote vendido no Brasil estava defeituoso.

Se o lote da cor vermelha no Brasil não funciona, o da cor cinza em Lisboa convive comigo ha uns tres anos sem qualquer problema.

Logo depois que a maquina sambada (ou reparada) pifou de vez joguei fora e aproveitei os créditos do clube e comprei a terceira maquina. Dessa vez preta.

Não é que hum mês depois ela quebrou.

Ou seja no Brasil o padrão de qualidade dos equipamentos certamente é inferior aquele vendido na Europa.

Ainda que traumatizado pelos atendimentos anteriores, 1-2 hs depois de muito esperar consegui agendar a visita técnica em casa, afinal soube do surgimento dessa modalidade.

Foi bom? Não.

Foi horrível, primário. Não so a pessoa arranhou o equipamento novo, trocou por duas vezes a cabeça da maquina que continuou sem funcionar direito.

Explico, o cafe e extraído em duas fases, a primeira da espuma que dura um certo tempo, depois a maquina diminui a velocidade ao passo que esquenta o cafe.

Quando disse isso ao tecnico ele pediu para fazer o cafe denovo, alias, gastou 6 capsulas minhas testando, um absurdo!

Demonstrado que a maquina não funcionava direito escutei “prefiro a que ferve o cafe” “para mim não tem defeito”.

Não sei de onde ela tira esse tecnico, a julgar pela marca de chave de fenda na maquina nova certamente é um trocador de peca, sem instrução técnica alguma, apenas uniformizado e educado.

Isso resume o caos que é a assistência da Nespresso, sem falar da baixa qualidade da maquina.

Recebi alguns emails pedindo para levar a maquina a um ponto de coleta em Copacabana. Perguntei se poderiam trocar a maquina afinal de contas entre as que ja dei de presente (como fui burro) e as que tenho ja se foram 4-5 máquinas.

A resposta bem simples “se tem reparo não trocamos”

So que não repara, e ainda quebra a maquina.

Não contente em entubar tecnico incompetente, quase exigiu que levasse eu a DHL para o equipamento ser consertado.

Francamente, não sou boy da marca. Exigi que o tecnico fosse la em casa mesmo porque estava na garantia.

Por fim entendi, seria mais do mesmo, a empresa é falsa na forma que atende as pessoas. Não é possível reclamar na loja, a loja não troca, a linha cai, o telefone demora, estão ai so para cumprir obrigação legal, nada mais.

Desisti

A maquina nova preta esta la quebrada e arranhada, vou investir no modelo que colocamos grão. Nada é tao ruim como é a Nespresso em termos de assistência técnica.

Tivesse eu noção do que seria jamais teria embarcado nisso.

Essa talvez seja a melhor experiência e aprendizado. Bom não ter.

A que ponto chegamos?

É difícil interpretar o atual momento político brasileiro à distância, sobretudo quando as informações chegam filtradas por noticiários. Ainda que jamais saibamos ao certo os interesses e disputas reais por trás dos acontecimentos, é através dessas narrativas — parciais, editadas, às vezes mal estruturadas — que percebemos alguns movimentos preocupantes.

Na cobertura recente da GloboNews, por exemplo, chamou atenção a falta de rigor informativo. Uma repórter afirmou estar relatando os fatos com base em “alguém me disse”, e logo em seguida reconheceu não ter conhecimento suficiente para fazer uma avaliação política. Ainda assim, produziu uma narrativa embalada como opinião, mas apresentada com a autoridade de quem dita verdades. Esse tipo de conduta evidencia o colapso entre informação e propaganda — e empobrece o debate público.

Mas o problema não é só a imprensa. Se o governo brasileiro confia tanto na democracia que afirma defender, por que a estrutura do Estado age com tanto temor diante de ações supostamente articuladas por figuras sem poder institucional? E mais: por que a Justiça é tão célere e implacável para uns, enquanto outros esperam por anos uma resposta?

A seletividade da atuação institucional é visível. Em nome da soberania, persegue-se com agilidade quem é considerado adversário político, enquanto a população comum segue submetida à morosidade estrutural do Estado. Ainda que envolva um ex-presidente, tribunais e pressões internacionais, o verdadeiro sentido de soberania reside em planejamento, transparência, respeito ao devido processo legal — e isso, infelizmente, está em falta.

Hoje, o Supremo Tribunal Federal parece atuar como extensão do Executivo, adotando medidas que beiram o abuso e rasgam, na prática, os princípios constitucionais que deveria proteger. Cercear o direito de fala, de resposta, de ir e vir — tudo isso configura o esvaziamento do Estado de Direito. O que se vê não é justiça: é intimidação institucionalizada.

Recentemente, o país recebeu uma sinalização externa de preocupação — uma “carta” que, entre linhas diplomáticas, critica arbitrariedades jurídicas relacionadas ao ex-presidente. A reação do Judiciário foi ainda mais grave: restrições adicionais, mais silêncio, mais cancelamento. Bolsonaro, por mais controverso que seja, é hoje uma figura cancelada institucionalmente. E o Brasil, ironicamente, se esforça para materializar — e exportar — essa perseguição.

O mais preocupante é que essa lógica pode se voltar contra os próprios ministros. Se o sistema de compliance das instituições internacionais, que dependem financeiramente do Brasil, for levado a sério, os excessos praticados aqui terão consequências. Afinal, até que ponto a obediência ao “mando” de ministros se sobrepõe ao cumprimento das normas internacionais?

Vivemos um Brasil que ainda opera na lógica da força. Um país que impõe medo para garantir a vontade de poucos sobre a maioria. O mesmo país que a geração dos meus pais evita lembrar — e que agora volta a dar sinais de que nunca deixou de existir.

O tempo mostrará até onde isso será tolerado. E até quando será possível sustentar a democracia no grito.

Justiça encurralada, país a deriva.

Se há algo que o recente episódio envolvendo Bolsonaro escancarou, foi o funcionamento do Judiciário brasileiro: reativo, seletivo e, por vezes, espetaculoso. Uma fratura exposta.

A súbita operação de busca e apreensão, poucos dias antes do prazo para alegações finais em processo penal, levanta mais perguntas do que certezas.

Seria mesmo necessária à elucidação do caso dessa forma? Porque agiu so no fim? Ou uma resposta apressada a críticas vindas do exterior — mais precisamente de Donald Trump?

A justiça brasileira parece funcionar à base do constrangimento. Reage quando pressionada pela mídia, pela opinião pública ou por interesses que escapam ao rito técnico-processual.

Para o cidadão comum, essa seletividade salta aos olhos. Milhões esperam anos por decisões definitivas, enquanto outros, dependendo de sua posição política ou relevância midiática, têm seus casos movimentados em dias — ou horas.

A justiça que tarda pode falhar, mas a que se apressa para “dar satisfação” compromete sua credibilidade. E não adianta repetir o mimimi.

A mídia, por sua vez, tem contribuído pouco para a elevação do debate. Ao priorizar narrativas de fuga, especulações médicas ou análises emocionais, reforça a superficialidade e contribui para a desinformação. A lógica do clique sobrepõe-se ao interesse público. Tudo vira espetáculo. E o que era para ser um processo judicial técnico transforma-se em um roteiro de crise institucional.

Enquanto muitos em Brasília vivem em torno dos holofotes, o país real amarga as consequências. O cenário geopolítico se complica: com o risco de tarifações americanas e um Brasil cada vez mais isolado, a economia começa a sentir o peso das decisões políticas mal calibradas. Exportações em queda, empresas em alerta, empregos ameaçados. E não se trata de previsão catastrofista, mas de lógica econômica elementar — como logo revelará o CAGED.

O Brasil vive uma estranha inversão: o que deveria ser discreto, técnico e institucional — como decisões judiciais — torna-se espetáculo; enquanto aquilo que deveria ser prioridade — empregos, comércio, estabilidade — é tratado como pano de fundo.

Talvez o erro mais grave seja nosso hábito coletivo: esperar que o escândalo dite a pauta.

O povo se acostumou a ser plateia — e não cobrador — das prioridades nacionais.

Daí a inércia da justiça, a conivência da imprensa, o caos do Executivo. Seguimos olhando o carro passar, com a sensação de que ninguém está realmente no volante.

A melhor versão de mim

São muitas as vantagens que conquistei ao envelhecer. Mentira.

Quem me conhece sabe que costumo dizer: envelheço porque a alternativa é muito pior. Ainda que essa frase não seja originalmente minha, ela veio de pai para filho. Com o passar dos anos, percebi que comecei a funcionar de forma diferente.

E isso, surpreendentemente, não é de todo mal.

Fui uma criança bastante perdida, depressiva e insegura. Hoje, essa fase passou. Olho as questões do cotidiano de forma mais dura. Sei o que quero — e principalmente o que não quero. Procuro decidir com base no que acredito, sem a necessidade de agradar a todos.

A adolescência também foi difícil. Muitas decisões e atitudes foram tomadas de maneira impulsiva. Lembro bem da falta de paciência, do estresse, da irritação. Com o tempo, essas frustrações acabaram sendo transformadas em algo mais produtivo: uma fonte de paciência e tolerância.

Curiosamente, mesmo depois de tantos anos, ainda me vejo impaciente e intolerante em algumas situações. Parece que algumas coisas não mudam.

Outro aspecto que notei foi o tempo que passo fazendo contas. E não falo apenas de números. São contas sobre o tempo de vida, o que ainda quero fazer, o que é possível realizar, o que já não faz sentido. Contas de trabalho, de dinheiro, de energia, de prioridades.

Através dessas contas, parei de desperdiçar meu tempo com vaidade, tolices e a paralisia do medo.

Fato: Quem diria — só através das contas é que aprendi a viver o presente.

E, no presente, talvez o ensinamento mais valioso que recebi foi a capacidade de dizer não.

Como isso foi difícil. Mas tornou-se necessário, especialmente ao perceber que muitas pessoas ultrapassam os limites saudáveis que devem nortear qualquer relação — seja de amizade, de trabalho ou mesmo familiar.

Hoje, sou alguém um tanto quanto diferente da pessoa que idealizei vinte anos atrás.

Consigo apreciar coisas simples que antes passavam despercebidas — e que hoje têm um valor imenso.

Parece que a vida agora é mais verdadeira.

Espero que seja. Confio que seja. Acredito cegamente que é.

Porque não foi fácil chegar até aqui. E, apesar de tudo, creio estar próximo da minha melhor versão.