Superada a fase inerente as escolhas me deparei com a questão do limite. Demorei a entender que limite não é dureza. É respeito genuíno.
Ao limitar não estou necessariamente tirando algo de alguém. Pelo contrário, porque gosto digo desse ponto não vai, essa linha não vai cruzar dessa forma.
Por muito tempo associei equivocadamente limite a afastamento, frieza, indiferença. Talvez seja porque eu assim como muitos brasileiros tem problema em dizer não.
Daí porque via aquele que impunha limites como menos disponível, por vezes menos generoso, talvez até menos amoroso.
Hoje sei que não é por ai que se anda. Hoje entendo que limite é cuidado e proteção, principalmente comigo. Seja na vida pessoal ou profissional, entender o limite é importante para não frustrar as relações.
Aos 50, percebo que grande parte do meu cansaço não veio do trabalho, do tempo ou das responsabilidades. Veio de pessoas, fatos e circunstâncias desenvolvidas para ultrapassar a mim mesmo. Verdadeiro atropelo.
Ai vem a simples pergunta: porque? Teria eu errado ao aceitar mais do que cabia? silenciar incômodos para manter a paz? Ou por permanecer onde já não havia reciprocidade, apenas hábito.
Impor limites não me fez perder pessoas. Os limitados parece não estavam comigo mesmo. Em ultima analise revelou quem realmente estava ali.
Onde estou? Com quem estou?
Algumas ausências doem, outra doeram fora as que não superei. Nem tudo é ruim, obviamente existem outras que aliviaram.
E houve aquelas que só mostraram que o vínculo já não existia apenas ocupava espaço e como tal demandava da tríade de trabalho pessoas e processos.
Algo bom desse ensinamento é que dizer “não” não exige explicação longa.
Que não estar disponível o tempo todo não é falha de caráter. Procuro sempre preservar o meu tempo, a minha própria energia e a própria paz.
Isso não é egoísmo, é maturidade.
Limite também é saber sair. Sair de conversas que não levam a lugar algum. De expectativas que nunca serão atendidas. De relações onde o esforço é sempre unilateral.
Hoje escolho menos embates e mais silêncio. Escolhi o ócio em detrimento do Caos.
Procuro menos justificativas e mais coerência. Menos presença por obrigação e mais presença por verdade.
Aos 50, entendo que quem se ofende com limites, quase sempre se beneficiava da ausência deles.
