Quando criança, contei os dias para ser adolescente. Até lá, chegar à maioridade parecia demorar uma eternidade.
Depois de formado e já trabalhando, percebi que o tempo corria, e que eu precisava correr com ele. Foi pela noção do tempo que entendi quando ele acelerava, pressionava, cobrava.
Hoje, aos 50, percebo que o tempo não para, mas ensina. E quem aprende, ganha tempo.
Essa não foi uma conclusão súbita.
Decorre de um acúmulo. É a soma de experiências boas e de erros repetidos, de expectativas frustradas, de aprendizados e de sofrimentos silenciosos.
Sim, carrego comigo algumas marcas e dores do passado.
Hoje, com um olhar mais distante, percebo que o tempo não acelera nem desacelera. Fui eu que insisti em caminhar fora do compasso. Paguei o preço do descompasso e com ele aprendi a viver fora da caixa.
A juventude me ensinou a correr, a querer, a fazer, a não desistir, a perseverar. A maturidade me ensinou a perceber a mim mesmo e, mais importante, ao entorno. Ao coletivo.
Aos 50, compreendo que quase nada floresce sob urgência constante porque o solo não sustenta. É preciso tempo de semear para depois colher o que vingar. E isso, não depende de mim. O que floresce de verdade precisa de silêncio, de espera, de espaço.
Só assim também entendi que o tempo revela, mas apenas àqueles que permanecem atentos.
Aprendi que respeitar o tempo é também respeitar a mim mesmo. É aceitar que nem tudo, ou quase nada, se resolve no momento em que desejo. É acreditar em Deus e no propósito que cada existência carrega. Alguns processos pedem paciência; certas respostas surgem no seu tempo próprio.
Hoje, não me angustia chegar depois. Me angustia chegar vazio, sem propósito, sem nada a acrescentar.
O tempo também ensinou a reduzir expectativas. Não no sentido de desistir, mas de ajustar. De compreender que a vida não deve corresponder a uma narrativa idealizada, e sim ser vivida com presença. Quando ajusto o olhar, o peso diminui.
Há uma falsa ideia de que desacelerar é perder. Aos 50, sei que desacelerar é escolher. Escolher onde colocar energia, atenção, trabalho e afeto. O tempo não pede pressa; pede consciência e consistência.
Na vida profissional, isso se traduziu em mais critério e menos impulso. Em ouvir mais, falar menos, observar antes de decidir. Resolver problemas continua sendo o que faço de melhor. Sou procurado para enfrentar a dificuldade como especialidade. Nada menos, nada mais.
Na vida pessoal, o tempo ensinou a valorizar o ordinário: o café da manhã sem ruído, a reza matinal na presença e na comunhão do marido, a conversa sem distrações, o dia que começa simples e termina inteiro. Pequenas rotinas sustentam grandes equilíbrios. Da mesma forma, são os pequenos movimentos que, somados, mudam a trajetória.
Aos 50, finalmente, não corro atrás do tempo.
Caminho com ele.
Essa é uma das maiores lições que o tempo me deu até agora e que pretendo carregar, no mínimo, pela próxima década.
Amém.

Se aos 50 o tempo deixa de ser promessa, no proximo capitulo ele se revela como escolha.
