Quando o Instinto Sabe Antes

Acordei pensando em quantas vezes consegui resolver questões complexas apenas com base no instinto.

Se isso funciona tão bem, por que — sem precisar medir o tempo — às vezes demoro para agir?

Para decidir pelo instinto é necessário, antes de tudo, conhecer profundamente a si mesmo.

No meu caso, percebo que em praticamente tudo — relações pessoais, negócios, processos, pessoas duvidosas, intenções ocultas — meu instinto sempre avisa cedo, como se antecipasse a verdade antes mesmo que ela se revelar..

Contudo, no meu caso, ele não manda sozinho. O instinto é apenas um indicador. Um sinal.

E sinais… podem ser enganosos.

Logo depois de cada intuição, inicia-se dentro de mim um conjunto de processos que incluem (não necessariamente na mesma ordem): racionalização, vontade de ser justo, tentativa de dar mais uma chance, moderação para não ser duro demais e, por fim, a esperança de que as pessoas sejam melhores do que apresentam ser.

Muitas vezes já me sabotei por não acreditar na primeira impressão — mesmo quando ela gritava que algo estava errado. E isso acontecia porque eu acredito, sinceramente, que todos merecem uma chance de se perdoar e acertar antes de qualquer julgamento.

Como se eu não fosse merecedor de julgar.

Aquela sensação amarga do “eu sabia”, “não acredito”, “por que não me ouvi?” sempre vem acompanhada do consolo final: “meu instinto estava certo.”

E isso, curiosamente, ajuda a dormir.

O dia seguinte, porém, começa como sempre: leve, fácil, feliz por acordar.

E grato por estar aqui — escrevendo esses textos.

Obrigado, Senhor.