Quando a Lambanza e a narrativa… enfraquecem a democracia?

Na semana passada, enquanto fora do Brasil, chamou minha atenção a repercussão midiática em torno da fuga da deputada Karla Zambelli.

Todos os principais meios de comunicação deram destaque ao caso, e alguns veículos aproveitaram a ocasião para vinculá-la diretamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O que observo desse enredo, mais uma vez, é a tentativa recorrente de rotular e minar a direita conservadora por meio de episódios isolados, usados como símbolo de uma narrativa política.

A imprensa, incomodada com a ascensão desse grupo, parece empenhada em associar seus membros a ilegalidades e rupturas democráticas.

Esse fenômeno da crescente direita conservadora, diga-se, não é exclusividade brasileira — processos eleitorais recentes em diversas partes do mundo demonstram a mesma tendência.

Mas qual a relevância disso para nós, cidadãos comuns?

Vivemos, direta ou indiretamente, os efeitos dos atos daqueles que elegemos — e também daqueles que não escolhemos.

Não votei na deputada, tampouco no Partido dos Trabalhadores na última eleição, mas sou igualmente impactado pelas perseguições políticas que corroem tempo e energia do debate público e mancham a prática democrática.

Hoje, acusa-se o governo anterior de ter apropriado indevidamente das cores da bandeira nacional.

Curiosamente, o atual governo tem utilizado o discurso democrático para legitimar todas as suas ações — inclusive aquelas que, ironicamente, atentam contra os próprios pilares da democracia.

Não é democrático transformar um inquérito de ofício em ferramenta de repressão política. Tampouco é aceitável que se concentrem, num único gabinete de um “superministro”, as funções de investigar, julgar e sentenciar — ainda que sob o pretexto do combate às chamadas fake news.

A democracia pressupõe separação de poderes, equilíbrio institucional e devido processo legal, valores que vêm sendo sistematicamente relativizados. Segurança jurídica no poder que rejeita mais de trinta recursos para subitamente anular tudo sem ate hoje julgar o processo não existe.

Essa distorção de valores, poder e realidade não é novidade.

Assim como se diplomou José Sarney na ausência de Tancredo Neves, agora se noticia, investiga e julga com base em presunções e alinhamentos políticos.

O esquecimento seletivo também é sintomático: poucos mencionam que o presidente da Câmara dos Deputados, à época dos fatos investigados, era opositor direto do governo. O presidente do Senado, por sua vez, ideologicamente alinhado a câmara, também não foi acreditado.

O que se evidencia é que, no presente ou no passado, os arranjos institucionais parecem atender prioritariamente a interesses — e não ao Estado de Direito.

A “defesa da democracia” passou a ser argumento vazio quando usada como escudo para práticas autoritárias.

Diante disso, o ato de votar não pode ser tratado como simples expressão de desejo eleitoral.

Ele é a ferramenta mais poderosa que possuímos para enfrentar distorções, promover mudanças e pensar o Brasil como uma nação verdadeiramente democrática.

Daí porque é importante votar. Na próxima eleição dois terços do Senado serão renovados.

Qual o Brasil que democraticamente queremos?

Ainda que não isoladamente, a resposta por certo vai passar pelo meu, pelo seu candidato.

Vamos votar?

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