Tudo começou de forma bastante discreta. Era para ser um simples jantar em comemoração do aniversário de alguém quando o assunto chegou à mesa.
Confesso, demorei cerca de uma hora para entender. Como assim? Quem em sua santa consciência vai gastar dinheiro para promover o parto de um boneco? Que boneco é esse? Mandam um novo todo ano?
Muitas foram as perguntas, nenhuma densidade na resposta, exceto que era moda.
Desde quando bonecos de silicone infantis começaram a ser protagonistas da economia global?
Ou… como pode uma loja em Belo Horizonte simular a maternidade da boneca por cerca de quarenta mil reais e vender mais de vinte bonecas por mês?
A conversa de bar chegou ao jornal e muitas outras teorias abarcaram a justificativa dessa alucinação. Do colecionismo ao tratamento de ansiedade, até mesmo companhia para idosos.
Fato: a mente humana é muito criativa e não demora a inserir conceitos inúteis na sociedade.
O Reborn é mais do que perda de tempo, é a forma de castrar a pessoa de pensar. Esta doravante passa a se ocupar com o vazio. Esse vazio instiga a criatividade sem limite.
Ai é que mora o perigo. Quando uma igreja se pronunciou contra o batismo de reborn percebi que essa história foi longe demais.
Quando uma cerimônia, que em múltiplas religiões representa o renascimento espiritual é realizada para um boneco, “Huston, we have a problem”.
Essa alienação, que se inicia com o culto a bonecos, reflete-se também em outras areas da vida urbana.
Ate entendo que o carioca em geral esta cansado da criminalidade da cidade, todo dia o prefeito substituto (RJTV) nos enche com noticia ruim. É traficante morto, assalto a jovens e idosos, todo tipo de atrocidade que nem mesmo o pão e circo conseguem apagar. Isso cansa, todo dia é igual ou pior, cansa mesmo.
Ainda que esse mês tenha havido o show da Lady Gaga sem a presença do anfitrião da festa (prefeito) tomada pela proliferação de vips que se multiplicaram como barata, no fim do dia estamos na mesma.
Me surpreendi com o relato de aristocratas e expatriados dizendo que o povo teve o show que mereceu, ainda que distante do telão.
A politica fluminense é ha algum tempo formada por casta, ou seria clan? Muitos dos que ai estão esquentam a cadeira ha muito tempo sem no entanto devolver melhoria na condição de vida a população.
O atual centro fantasma representa bem o tamanho da mediocridade dessas pessoas. Na falta de estrutura melhor levar o escritório para outro bairro, deixa esse degradar para depois ceder a especulação imobiliária e devolver a cidade o que ja é dela.
Bora fazer uma campanha de conscientização do transito sem contudo enfrentar o fato que o transito esta descontrolado. Uber para onde quer, faz fila dupla, tripla com se dono da rua fosse e ai de quem reclama. Pedestre atravessa no sinal vermelho porque em certos locais o sinal não vale.
Essa é a receita perfeita para se esquecer a vida em sociedade, ignorar a religião e voltar a si mesmo.
O reborn é a ultima instância do egoísmo multiplicado a infinitude. Numa sociedade desenhada para observar o próprio umbigo em primeiro lugar nada além disso vai prosperar.
Ai mora o perigo.
Não é pensar em si antes de olhar para o lado, e sim não olhar para o lado por pensar em si.
Ha uma grande diferença entre essas duas situações. Enquanto uma delas nos isola a segunda nos torna mais humanos, com a possibilidade de exercer o genuíno amor e compaixão. Nos faz evoluir como pessoa assimilando experiências diferentes.
Nada disso acontece com o bebe reborn, ainda que seja fértil a sua imaginação, vai ser sempre voce e voce. Não há paternidade, familia, crescimento, amadurecimento, nada disso, tao somente a adoração ao silicone em forma de gente.
E isso precisa mudar!

