Retornei ao Brasil aproximadamente dois meses atrás. Confesso estava otimista, ainda que impactado com os escândalos noticiados no final do ano.
Ainda que tenha escrito sobre um deles, referente ao caso de transplantados com HIV e os reflexos dessa patologia em uma sociedade que se noticia ser aberta, inclusiva, cujos meios de comunicação dizem não ser a vida do infectado um bicho de sete cabeças, afinal ninguém morre disso, me surpreendi com a indignação e intolerância de pessoas e infectados.
Parece que o único assunto importante foi o incêndio na fabrica de fantasias do carnaval. Claro, a imprensa não poderia deixar de dar espaço a essa noticia, e de todos os escândalos que envolvem algumas escolas de samba em relação a contravenção.
O Rio de Janeiro está verdadeiramente tomado pelo crime, basta ligar a assessoria de comunicação da prefeitura (RJTV) que se tem noticias dos mais variados absurdos.
Voltando ao meu retorno, o que mais impressionou no retorno?
A falta de educação!
Sinto esta cada vez pior. Os reflexos disso são profundos e atingem diversos aspectos do dia-dia, exemplo:
Sinal abri fiz a conversão a esquerda para entrar no shopping e me deparo com uma pessoa com um carrinho de criança querendo atravessar a rua ainda que com o sinal de pedestre fechado. Abri o vidro e falei “olha a faixa e o sinal”. A pessoa respondeu “isso aqui não vale”.
So no Brasil o sinal e faixa de pedestre não vale. O que esperar de alguém que nem instrução consegue seguir.
Refleti. Não a toa vivo em uma cidade tão desigual. O achatamento de classe e o aumento da pobreza estão diretamente ligados a falta de educação.
E o show da Lady Gaga apenas prova isso. A baixa escolaridade do povo não permite compreender e questionar temas complexos inerentes ao exercício da cidadania. No fim do dia gasta-se dinheiro publico num show para o povo ter um alento.
A manipulação é evidente.
O que mais a falta de educação nos traz? O tao elogiado improviso, a lenga lenga nos assuntos não resolvidos, o jeitinho brasileiro informal de não cumprir as regras. Não a toa motocicleta anda na rua, na calçada, na contramão, sem placa e agora legalizados no corredor da morte.
Curioso ver como muitos dos que viajam para o exterior são bem mais educados enquanto aqui são uns selvagens.
Fato não da para viver no Brasil sem normalizar a selvageria.
É esse espirito baixo e mal educado que norteiam muitas musicas, muitas das supostas boas intenções que só existem no papel. É o que faz alguém sacar dinheiro do governo mesmo não sendo elegível no covid simplesmente porque paga os impostos portanto se entende com credor do Estado.
É essa falta de educação que acaba com o meu dia, que arregimenta ricos e pobres na falta de educação diária. Não a toa temos dengue aqui, não a toa a rua é lixo de muitos.
Sera que isso vai mudar? Desejo que sim. Tomara que passe.
