Estabilidade Emocional: O Mito do Homem Equilibrado

Não é de hoje que percebo ser o Homem Equilibrado um conceito trazido para justificar uma, ou algumas posições politicas, ou até mesmo implementar ideologia. Ainda que esteja cansado desse mi mi mi que torna tudo uma ideologia, e pode até ser que não seja, resolvi sobre isso escrever.

Esse conceito, assim como o pecado, estão bem presentes no dia de hoje. É comum ler que devemos sempre manter a calma, não brigar, mediar, dialogar as frustrações e buscar soluções. Nesse contexto, surge o Homem Equilibrado como uma pessoa independente, que goza de estabilidade emocional, mental, dentro e fora de casa.

São diversos tipos que surgem narrativa do cotidiano a fora, e que possuem características semelhantes, algumas até de heróis.

No entanto, é da vida real que se vive, e viver não é mole não, tampouco estável. Logo essa imagem de estabilidade aliada ao equilíbrio não combinam com o habito de lidar com as diversas circunstâncias diárias. Ao que percebo, se alguém destaca-se por ser honesto, por não roubar, por não fazer mal ao próximo e até mesmo ser bravo, este não é um exemplo de homem equilibrado e sim do homem cristão.

Então o que percebo é o aumento de pessoas que adoram criar status de entidade para definir, elogiar ou até mesmo justificar outros.

Isto não é legal e não é de Deus. E sim, Deus esta acima de tudo e todos, sempre, ainda que esquecido pela grande maioria que o procura quando em apuros. Muitos sequer param 5 minutos para rezar e buscar estar próximo do Pai. A verdade é que a prática religiosa diária muito nos ajuda e nos fortalece independente do viés politico da pessoa, seja de direita seja de esquerda ou até mesmo seja ela sem lado (ou em cima do muro).

No entanto, parece que rezar ofende e manter-se na fé pior ainda para aqueles que dela usam para criticar alguém. Canso de ler frases do tipo “só pode ser um evangélico” ou “esse pessoal da igreja” para agredir, dizendo que a estabilidade esta em outro lugar ao invés de aceitar que no fundo somos todos iguais.

Quando foi que me dei conta disso? quando entendi que estava vivendo minha natureza afetiva para me relacionar com um homem. Foi quando no pequeno grande mundo dos medíocres passei a ser julgado. Não raro leio e escuto de pessoas próximas que sou legal, no entanto, se perguntado o que fariam se o filho fosse gay dizem graças a deus que isso não aconteceu na minha família.

Também muitas foram as vezes que em reunião escutei um desculpe lá, isso é coisa de boiola, no intuito de gerar desgaste e instabilidade. Nada disso me atinge no entanto vale aqui a reflexão, se muitos acham que os jornais, as notícias e as opiniões com base em pessoas centradas ou equilibradas é a solução, desconfie. Não existe nada de centrado nisso. A imposição dessa ideologia de equilíbrio como meio a pacificação do Brasil colide com o conceito de freio e contrapeso, mecanismo de harmonização dos poderes cuja origem esta no fato que são, assim como nós, desequilibrados, logo um anula o outro (e nada se decide e faz) para que todos sejam iguais.

Não a toa o eletrocardiograma é composto de altos e baixos exceto quando morto fica bem equilibrado.

Prefiro essa realidade, de errar e acertar, evoluir e entender o que é melhor do que me pautar por aqueles que pregam sobretudo o Homem Equilibrado.