Não é de hoje que criei o hábito de acompanhar o Brasil (e o mundo) através das notícias. Seja porque sou Brasileiro e amo a pátria, seja porque construí nesse país um ninho, ou mesmo porque é uma das forma que temos de enxergar o mundo, através dos fatos e notícias que o acompanham. Confesso nunca foi tão difícil acompanhar as notícias do Brasil durante uma viagem para o exterior como tem sido agora.
A dificuldade reside em assimilar as notícias quando estamos em um ambiente completamente diferente. A vivencia de outra realidade nos impõe a observar os fatos com outro olhar, sem a pressão da narrativa ou mesmo a violência do cotidiano que assola todo e qualquer brasileiro.
Precisei viajar para me dar conta do quanto algumas palavras entoadas em reportagens são violentas. Isto é inimaginável no país que tem predominância da religião. Essa forma de escrever e narrar tem um efeito devastador no bem estar das pessoas. Talvez por isso muitos não acompanham, não dão importância e valor ao noticiário.
Aí é que mora o perigo. O desinteresse de uns é munição para a metralhadora verbal de outros.
Assim é que de longe percebi que o combate a subversão das instituições, tema que nos leva a refletir dos meandros da sociedade sob influencia do poder, esta de fato levando o Brasil acabar com pessoas… físicas e jurídicas.
FATO: a vida digital não nos ajudou.
Parece que hoje não mais existe a percepção em torno da transitoriedade das notícias, algo que no passado foi muito óbvio. Ainda que todas as notícias de hoje sejam o lixo digital de amanhã, porque serão esquecidas, percebo que existe um movimento de caça e aniquilação dos culpados.
Não é fácil porém vamos a exemplos práticos. Se no passado uma matéria publicada em jornal não se revelasse correta, editava-se uma errada ou sob o pretexto de direito de resposta buscava-se corrigir os fatos. Fico imaginando como seria a vida dos antigos diretores de revistas de notícias nos dias de hoje. A depender da matéria estariam presos.
De onde tirei essa ideia? simples, se alguém publica algo que não é considerado certo na mídia social (ou informativa) quem responde é o meio de comunicação. Então se alguém faz um post ideológico considerado pelo Poder Judiciário abusivo o remédio é fechar o meio de comunicação sob o pretexto de fortalecer a democracia.
Como pode uma pessoa jurídica que via de regra não comete crime, é protegida pelo interesse social em razão da atualização da Lei Civil ser objeto de tamanha sanção. Quando foi que sob pretexto de responsabilidade dos Meios de Comunicação em relação passamos a permitir debates calorosos, mal educados, violentos e sem qualquer tipo de reflexão ou sanção crítica? O caldo engrossa quando percebemos que a mesma mão que permite esse show de horror na televisão faz sanção as plataformas como se isso pudesse se sobrepor a responsabilidade de seus membros.
Ao invés de buscar reparação na atitude das pessoas, escolhemos sancionar as instituições. Se alguém publica algo no X que é ilegal, ao invés de guardar essa informação como prova processual até mesmo para sobre ela publicar uma resposta, hoje em dia tiramos a plataforma do ar.
Ficou mais fácil atacar as instituições do que as pessoas. Simples. Como não existe mais reflexão ou senso crítico sobre a vida, nosso entorno ou sobre fatos do cotidiano, melhor mandar tirar do ar mesmo. Fosse a publicação realizada no jornal, certamente esse seria guardado como prova. No entanto a predominância pela prevalência da narrativa tem imposto situações vergonhosas a pessoas que não a toa são objeto de reflexões impuras. Afinal, através delas a palavra foi emanada sem humildade, nada mais natural que a essa ação corresponda uma reação.
E foi assim que percebi que a subversão faz parte da realidade brasileira. Através delas e sob pretexto de manutenção de estruturas, anulou-se empresas e indivíduos dentro da sociedade cujo estado de normalidade passou a ser conviver com a subversão das próprias instituições brasileiras.
Os exemplos não param por aí. Hoje pela manhã li que um desembargador soltou uma pessoa porque o Ministério Público não havia sido capaz de formular uma denúncia, o que nos leva a perguntar qual a finalidade da cautelar? averiguação ou perseguição? Se um agente do estado entende que não esta correto, porque o Estado não é igualmente sancionado? porque em defesa do Estado tudo é possível e permitido.
Aí me vejo vivendo, ainda que de longe, um traço que no passado autorizou o genocídio de muitos.
Poxa Pedro você esta sendo subversivo ou questionador? até que ponto seus questionamentos são válidos e protegidos pela Constituição? aliás o que é esse livro mesmo que foi editado há mais de 30 anos atrás? Como pode alguns políticos do passado, ainda que ditadores, serem considerados estadistas no dia de hoje, em que censuramos textos históricos do folclore brasileiro e músicas sob pretexto que não são inclusivas.
Quando foi que tudo isso começou? difícil dizer no entanto fácil perceber que a educação hoje não vai criar pessoas melhores, pelo contrário, vai castrar ou subverter as pessoas que tiverem censo crítico.
A arma do cidadão é a urna. No Rio de Janeiro os meios de comunicação conseguiram adormecer uma parcela da população que é muito maior do que o número de votos de quem se elege. Ate quando?
