Desde sempre defendi o pensamento que não devemos anular ou impor aos Russos qualquer tipo de sanção considerando a narrativa da guerra na Ucraniana.
Ciente do ditado popular “falar é facil, fazer é dificil”, contra todas as dificuldades embarquei para lá e aqui estou.
Realmente as sanções dificultaram, e muito, a vida de quem pretende fazer turismo e viajar porque no final do dia, não existe voo direto, poucas companhias fazem baldeação para la e quando se chega, em razão das sanções, não existe integração aos nossos bancos portanto se torna muito difícil ou quase impossível usar cartão de débito ou credito por exemplo.
Logo entendi que o nosso sistema bancário é subordinado aos interesses internacionais. Ora, se o Brasil não entrou na guerra, importa diesel e fertilizante como alias todo o mundo para sobreviver, porque especificamente nosso sistema não esta aberto aquele pais?
Por hora vamos colocar esse pensamento de lado e focar nos fatos que sucederam na viagem. Quando fiz o checkin no hotel, assim como em qualquer outro, fui perguntado a nacionalidade.
Ao dizer que sou brasileiro veio logo uma relação inesperada. Por trás do olhar aparentemente duro percebi um gesto acolhedor, fui bem recebido no hotel mesmo falando inglês?!
Pois é, apesar do idioma ser dificil em relação ao nosso, nem por isso tive dificuldade de me comunicar seja com poucas palavras ou gestos?
Desenvolvi a tecnica de apontar anos atrás quando viajei a República Tcheca logo que passou a integrar a zona do Euro. Ja havia utilizado em outro passado mais distante quando fui a Paris bem no inicio da decada de 90. Comum a ambos enfatizo que naquela epoca melhor era tentar e falar mal frances do que ingles. De igual modo na República Tcheca nem cardápio em outro idioma havia, quando muito, alguns restaurantes beira de praça tinham descrição embaixo dos pratos.
Ou seja enfrentei a mesma dificuldade, com uma variante bem diferente da que vivi ano passado quando retornei a República Tcheca, e percebi naquele lugar que o inglês é amplamente falado. A par disso existem muitos estabelecimentos universais na cultura americana, como Starbucks dentre outros.
O mesmo pode se dizer dos franceses. Se antes ambos os países sofriam com outro idioma hoje digamos assim, estão adaptados e ja possuem alguns estabelecimentos americanos.
Os dias se passaram e percebi que a aparente dureza é mais uma característica linguística do que ideologia ou imposição moral. Essa percepção veio de inúmeras formas. A principal e muito facil foi apontar a câmera, selecionar texto e ir na opção “traduzir”.
Aqui, a exemplo de Portugal, não existe o gerúndio. Ninguém poderia ou gostaria de nada aqui, porque o idioma é curto e objetivo. Eu quero é frequentemente utilizado na administração corriqueira de tarefas.
Outro grande aliado é o “translate”, forma pela qual troquei palavras com residentes que não aprenderam o inglês. Esse programa extraordinário é simples de usar, lembra os rádios nextel, basta apertar o microfone e pedir para pessoa falar, logo depois vem a tradução da palavra ou frase dita anteriormente.
Os dias passaram, ainda que tenha sido confundido com italianos, fui bem recebido tambem, o que mostra serem os russos receptivos aos estrangeiros.
E como ficou o pais do embargo americano?
Praticamente igual ao que era antes. Ao que percebi andando nas ruas todas as grandes marcas estão aqui, não sairam e ficaram, como por exemplo Bentley, Tiffany, KFC, Ferragamo, Ralph Lauren dentre outras. Andei em um Mercedes na Russia, vi alguns Range Rover novos nas ruas e esta tudo bem.
Aquela imagem passada pelos meios de comunicação brasileiros no passado não resiste cinco minutos de estadia nessa cidade. A par da grande confusão gerada, nem mesmo os grandes conglomerados sairam daqui.
Pelas ruas percebi que o povo, católico e ao que parece ortodoxo manifesta sua fe a igreja através de imagens comuns ao que vejo no Brasil, ainda que o ritual da missa seja completamente diferente do que estamos habituados, é respeitoso, genuíno e sincero. Não existem cadeiras, o canto não é do fiel e este não esta la na condição participativa da igreja e sim em um ato de fé.
Ao longo do final de semana percebi que a cidade fomenta conhecimento, quando fui ao museu no sabado e dei conta que haviam muitas famílias no local. Pais explicam aos filhos, guias explicam aos pais e filhos ou para grupos de turistas sem problema.
No campo da arte igual postura se revelou, os teatros lotados, em um deles a opera Don Giovanni. No outro um ballet russo que alias é uma obra prima. Esse povo aqui é dedicado a arte e dança bem. O mesmo pode ser dito a orchestra do teatro.
Ao contrário do Brasil aqui por exemplo não existe lacração. Casais saem e não demonstram afeto na rua, não se agarram nem levantam essa bandeira. Nesse país não existe tempo e cultura para isso.
Mas perai estão em guerra com seus semelhantes haja vista que alguns lideres russos foram ucranianos. Esse fato demonstra o quanto é duro ver povo de mesma origem exercendo a soberania ainda que sob forma de batalha.
Essa circustância nunca vou entender. Afinal ao contrário de muitos povos europeus no Brasil não tivemos muitas guerras, não tivemos o hábito de ir a guerra, defender a soberania e buscar exercê-la antes de tudo.
Onde foi que eu errei? Onde foi que os meus pais e avós erraram?
Porque regra de etiqueta, educação, independência, temas que deveriam ser objeto de reflexão tão somente no ambito da família hoje são de forma superfula e leviana jogados a sociedade brasileira pela imprensa e puxados pela lacração.
Fato é que a história do Brasil mostra que perdemos valores sociais seja pelo que não foi passado ou não conseguimos absorver de nossos pais, avós, bisavós, escolas, universidades e no fim da linha o emprego (ou falta de).
Agora entendo porque penso que à geração seguinte não é melhor do que a antiga, mesmo tendo recebido o melhor tratamento, melhor cultura passada pelos pais.
Não da para negar que nessa cadeia todos tentaram e fracassaram, as vezes com ajuda do Estado que busca se reinventar através de politica supostamente integrativa que a bem da verdade é a mesma sob forma diferente.
No fim do dia é fingir escolher e aceitar viver.
Oremos

