Carro elétrico é pura ilusão…

Acompanho a indústria automotiva ha anos. Desde pequeno aproveitava as férias para estar na concessionária de automóveis da família. Esse comportamento hoje entendo, é por conta do fator inquietude que tenho.

Vivi o que no futuro será dito a grande revolução de construção de motores… antigamente eram grandes, consumiam muita gasolina e tem o fator manutenção, cada vez mais complicado. Ficaram pequenos, turbinados, depois híbridos e agora se fala no carro totalmente elétrico.

Isso atualmente não vai dar certo no mundo. Ainda que no Brasil tenho acompanhado um certo entusiasmo em relação a esse veículo, creio que no final do dia, é o mesmo entusiasmo que uma criança na decada de 90 teria se tivesse a frente de um computador, ou tempos depois, as famílias teriam televisores em plasma-lcd no lugar do tradicional tudo de imagem.

Esse investimento a par da geração de empregos e da afirmação que seria o futuro no mundo, não se sustenta.

Imaginar uma casa com um carro elétrico pode ser possível. Dois automóveis elétricos não. Esse produto fomentado pelo governo, no dia-dia é impratico.

Autonomia de bateria e infraestrutura de carregamento é apenas um dos elementos. Creio que no Brasil a venda de carros elétricos existe em razão do excesso de automóveis fabricados no mundo.

Comum a todos os carros elétricos é a ansiedade de seu uso em relação a autonomia da bateria. Ainda que a indústria tenha tentado facilitar o entendimento através do híbrido, a consideração por um carro elétrico não é a prioridade do usuário.

No fim do dia entendo perfeitamente como por exemplo a GM nos estados unidos empurrou para frente o prazo de eletrificação de todos os produtos. É facil entender porque a despeito dessa mentalidade verde, existe muitos interessados em SUV a combustão.

0 preço é uma questão importante. Ainda que sejam mais caros em relação ao carro a gasolina, quando em número absoluto chegam a um patamar possível por alguns compradores vem a grande campanha publicitaria.

Veja, a compra de um carro cuja bateria dura algo entre 7 a 10 anos não vinga quando comparado ao carro a gasolina que dura certamente algo em torno de 20 anos.

Fato: todas as montadoras bem estabelecidas conseguem fabricar um bom carro.

Logo o fator depreciação nesses veículos vai galopar. Quem tem pode ate substituir o seu no entanto quem comprar um usado nessa circunstância não vai pagar bem.

Independente da taxa de juros necessária ao empréstimo e por ai vai, outro fator que é a pressão do governo para isso gera um efeito rebote. Não é porque se manda que vai acontecer. A lógica do mercado não é essa.

Não considera por exemplo que existe entre alguns países a falta de padrão no carregamento. Pior, em um deles na América do Norte o padrão mudou de modo que todos os produtos vendidos hoje ja são obsoletos.

Sabe aquela ressaca que tem quando compra um televisor e meses depois ele custa bem menos… acontece no carro elétrico impiedosamente.

Estoque de carro em lote não significa que há demanda.

Lidamos com conta de luz, conta de gás, varios outros custos fixos. Inimaginável que um carro elétrico hoje é vendido muito mais em conta… a queda no valor de venda não representa acessibilidade do produto as pessoas, muito pelo contrário, mostra que o ajuste de preço não é uma conveniência e sim a necessidade de vender o que ninguém quer comprar.

E o preço? É difícil manter o preço. Ja estou vendo que prometem um valor e sobre rápido em relação a projeção.

Talvez se pudessem retroceder e tivessem a tranquilidade de experimentar melhor algo híbrido em detrimento ao essencialmente elétrico seria um começo. Com o tempo todos os usuários entenderiam a questão do tempo de carregamento.

No Brasil o custo piora a situação. Me espanto quando vejo fabricantes cobrando revisões em carro elétrico de 20 em 20 mil kms… para que? Ter um motivo para voce esquecer e perder a garantia? Ou seria para continuar a filosofia de jeca que é preciso ganhar dinheiro do cliente voltando para serviço.

Esses aspectos macroeconômicos tem outro complicador que são os inconvenientes dos produtos em relação aos usuários, quem sabe um dia escrevo mais sobre isso.

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