123 milhas polêmicas

Para início de conversa me pergunto como é possível existir uma empresa como essa, cujo objetivo é vender a milha de terceiros. Não parece estranho ou proibido?

Superada a questão moral se deveria ou não ser permitido isso, não é estranho que muitos destinos exigem baldeação em uma ou duas conexões até o ponto final?

A livre iniciativa, aliada ao oportunismo criou uma comodidade que foi, por muitos, aproveitada. Essa empresa criou e normalizou uma situação para lá de esquisita, a de viajar mais ou menos em uma data.

Escolhe aí um trimestre paga uma merreca junta milhas que vou te mandar para onde quiser e sua imaginação deixar.

Assim é que a 123 milhas sobreviveu, através de 123 pessoas interessadas em vender com outras querendo comprar.

Onde esteve o Estado durante esse tempo? Silente. Ainda que existam ações judiciais sobre ofertas não cumpridas em relação a compra de passagens a destinos não realizados, o Poder Judiciário nada fez, exceto, é claro, quando provocado reparar a situação mandando realizar a oferta ou devolver o valor acrescido de juros correção e por vezes dano moral.

Com isso muitos passaram a usar e confiar no que acho ser uma bandalha como algo normal.

Só lembram do governo na hora de pagar a taxa de embarque que é o estado fazendo a sua parte cobrando daques que se dão ao luxo de viajar.

As companhias aéreas continuam cobrando uma fortuna para os bilhetes emitidos sem antecedência, e por vezes inflacionam por conta dos feriados ou quando tem a realização de algum evento internacional.

Ninguém questionou os preços muito abaixo do mercado. Porque?

Fato: enquanto muitos não tem acesso a água potável, segurança alimentar e trabalho, uma parcela da população resolveu aproveitar a bocada e viajar. Essa atitude não é muito diferente daqueles que sacaram o auxilio do governo durante a covid mesmo não sendo elegível a tal simplesmente por achar que o governo tem uma dívida com ele.

Somos adultos, maiores de idade e somos plenamente capaz de responder pelos nossos atos.

No entanto uma pergunta não sai da cabeça. Num país que foca seu futuro mais em propaganda do que ação. Qual malandro poderoso ou ligado ao governo foi prejudicado a ponto do mesmo agora querer atuar na apuração dos fatos a fim de que isso não se repita…

E ja que abriu a caixa de pandora, porque não é pautado a dificuldade dos viajantes de usar suas milhas. Canso de ver voo disponível para comprar pagando a tarifa no entanto quando voce procura usar as milhas não esta disponível.

Ja antevejo a criação de cota de milhas por aqueles que entendem ser útil a segregação e ampliação de políticas públicas para arrebanhar eleitores.

No fim do dia somos gado daqueles que conhecem a máquina, sabem como funciona, usam e interfere a seu bel proveito sem consideração ao próximo.

Coisas do Brasil.

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