Relembrar é viver

Você lembra qual é seu livro favorito da infância?

Ontem falei de três livros que me marcaram quando jovem, hoje a pergunta é sobre quais livros marcaram a minha infância.

Curioso é que o primeiro livro que veio a mente, chamado Fogo no Céu, trata do folclore da festa junina. O que dizer? Adorei o livro. Era um dos preferidos, rabisquei, li, desenhei o balão, a galinha e por aí vai. O ponto desse livro com o que esta acontecendo na atualidade, é que o folclore foi perfeitamente entendido. O livro não me incitou a construir e soltar balão caseiro por exemplo, o que na educação de hoje, parece não seria possível.

Fico bobo com a quantidade de adaptações. Cantei (e canto) atirei o pau no gato sem nunca ter feito mal a eles. Na minha opinião mal trato a animal esta mais relacionado a falta de educação que a bem da verdade deveria ser dada pelos pais, restando a Escola o trabalho complementar de instruir. No entanto o bicho pega quando os pais não educam e a escola por consequência fica sem instruir.

E também não pensem que foi fácil me educar depois de ler o livro Marcelo Marmelo Martelo passei um tempo a inventar muitas palavras.

No top 3 livros infantis segue de onde vem os bebês. Me divertia nas ilustrações e olhando para trás vejo o quanto a literatura de antigamente explicava coisas simples em linguagem fácil e acessível.

Ser ou não ser, eis a questão.

Liste três livros que influenciaram você. Por quê?

Acho que os livros que mais me influenciaram foram aqueles lidos na escola porque me ajudaram a refletir desde cedo sobre o que sou e quem sou.

“Senhora”, um romance de José de Alencar, conta a história de Aurélia, uma jovem rica e bonita, mas que sofre preconceito pela sua origem modesta. Ela é rejeitada por seu amado, Fernando, que se casa com outra mulher para obter riqueza e prestígio social. Determinada a conquistar o amor de Fernando, Aurélia torna-se uma empresária de sucesso e rica. Quando ela encontra novamente Fernando, agora arruinado financeiramente, ela oferece-se para casar com ele em troca de sua lealdade e amor. O romance é uma crítica social sobre a hipocrisia, preconceito e materialismo que eram comuns na sociedade brasileira do século XIX.

Quando li esse livro cursava a quinta serie do então Colégio Padre Antonio Vieira e mudou profundamente a forma pela qual passei a olhar algumas coisas na vida. Porque passei a olhar para o lado e ver meus colegas de classe diferente. E me percebi diferente do contexto.

Foi quabdo me dei conta que estudava no Colegio Padre Antonio Vieira, escola tradicionalmente conhecida por acolher pessoas ricas e com prestígio social. Até então não sabia o que significaria isso, porque nunca me vi pelo prisma de ser filho de pai rico. A família era – e sempre foi – criada na base do trabalho, e la em casa bem cedo meus pais ensinaram que a minha unica obrigacão pelo menos ate atingir a maioridade era estudar, depois trabalhar.

Onde então caberia tempo para as tarefas normais do tipo que os amigos do colegio fazem? não vou viajar para Angra ou Itaipava para o final de semana? e porque teria que viajar se de fato tinha em casa tudo o que precisava? E nas férias, o que faria?!

Se bem que antecipei aqui o efeito da desconstrucao que havia sido iniciada a partir da leitura do livro Menino no Espelho de Fernando Sabino

“O Menino no Espelho” é um romance autobiográfico escrito por Fernando Sabino. A história é sobre um menino chamado Fernando, que vive no interior de Minas Gerais, e que passa por diversas aventuras e descobertas em sua infância. Ele começa a questionar a sua própria identidade ao perceber que o seu reflexo no espelho tem vida própria. A partir daí, o menino inicia uma jornada de autoconhecimento e descoberta, que o faz amadurecer e compreender melhor a si mesmo e ao mundo que o rodeia. Com uma linguagem simples e coloquial, o livro aborda temas como infância, família, amizade e identidade, de forma poética e nostálgica. “O Menino no Espelho” foi considerado um clássico da literatura brasileira para jovens e adultos…

A vantagem de ser criado ao redor dos livros foi essa, basicamente, desde pequeno tive acesso a muitas palavras. Tempos depois percebi o quanto isso foi importante, alias, se hoje consigo escrever esse blog com algum poder de sintese certamente fui ajudado pela literatura que li durante a vida.

“A Morte de Quincas Berro D’Água” é um livro escrito por Jorge Amado, publicado em 1958. A história se passa em Salvador, na Bahia, e segue a vida de Joaquim Soares da Cunha, mais conhecido como Quincas Berro D’Água, um ex-funcionário público que, após uma vida de deboche e excessos, passa a viver como mendigo e frequentador dos bares e da vida boêmia da cidade.

Após sua morte, seus familiares tentam enterrá-lo de acordo com as normas sociais e religiosas, mas seus amigos da vida boêmia resolvem homenageá-lo com um enterro no mar. A partir deste conflito, o livro aborda temas como a marginalização social, a diferença de classes e valores culturais, além das relações familiares e entre amigos.

“A Morte de Quincas Berro D’Água” é uma crítica social ao sistema brasileiro e reflete a sensualidade e a paixão, tão características na obra de Jorge Amado… sabe la se hoje e um livro autorizado..

At times life is pure joy!!!!

Descreva algo simples que você faz e que traz alegria para sua vida.

Talvez um dos maiores ensinamentos que a vida me trouxe foi o de reconhecer e aproveitar momentos de Alegria ou felicidade.

No entanto percebo que o mundo moderno, na maxima de ser feliz, ser cool, ser midia social, ser legal, está fadado a tristeza qualificada. Acho que no futuro se essa vibe não mudar, em breve surgirá a escala dos menos tristes ao invés da constatação que existem os mais ou menos alegres.

A sociedade da forma que está se desenhando é incapaz de apreciar um conjunto de coisas ou situações simples como suficientes para o alegado estado de felicidade. E olha que não entrei no campo das sensações e emoções.

Portanto nao existe dificuldade alguma em ter alegria ou momentos de alegria. O bicho pega quando o lifestyle de felicidade absoluta, que me parece que e o momento atual que a nova geracao digital vive acontece.

Para ser objetivo e simples com a proposta do tema, coisas simples fazem toda a diferença no dia, como por exemplo: me dedicar ao marido; me dedicar aos amigos; cozinhar (para minha surpresa); LER; ouvir musica; assistir filme, assistir video no youtube; fazer algum tipo de exercicio fisico; cuidar e consertar coisas e objetos, por ai vai… agora no topo da lista o maior motivo de alegria é acordar e ter ao lado uma pessoa para abraçar, meu marido. Nossa como o dia comeca bem quando depois, ainda que tenha acordado agitado, paro no quarto para aquele abraço de bom dia e realizo a família que temos com os filhoa caninos.

Creio que se tivessem tempo para refletir melhor sobre isso não teríamos esse problema. A questão se torna tanto um quanto complexa quando estes não entendem que a reflexão sobre isso impõe minimamente conhecimento x maturidade para entender o lado pessoal. E não dá para viver na base do audiolivro, da leitura de resumo ou livros resumidos.

Tempos atrás escrevi um dia, não muito longe, ler e entender seria para poucos, interpretar seria tarefa so para iluminati.

Pode até ser que consiga, porém será muito mais difícil. Para uma nova geração que vive na base do tempo de tela fica difícil fixar na leitura pelo celular. Afinal nada é tão agradável quanto segurar um livro.

Hoje me deparei com a seguinte situação,  3 pessoas que não se conheciam em algum momento na sala vip antes do embarque tiraram uma foto com um copo de champanhe.

O champanhe era bom? Não. O glamour da sala VIP que é acessível a todos que viajam ou pagam para usar existe? Não. Viajar é um estilo de vida? Não. Em um determinado momento um pegou um livro com uma mão e champanhe com a outra pousou para a foto e perguntou a fotógrafa “é forçar a barra né?”. Poucos segundos depois ambos concordaram deixaram o livro de lado e ficaram na pose.

Em contrapartida esse é o maior motivo de tristeza. Ver que muitas pessoas com potencial esqueceram do básico para se enquadrar nesse padrão. Outras sequer querem saber. No fim do dia todos nós temos semelhante dificuldade para viver e empreender. A par dos momentos felizes.

Amigos para sempre!

Qual qualidade você mais valoriza em um amigo?

Primeiro de tudo, nada como ter amigos! Criar e cultivar amigos é como viver um milagre. Acontece com todo mundo, no entanto nem todos estão preparados para ter ou acreditam.

Amigos são a primeira forma de relacionamento que criamos na vida, daí porque são importantes. Os poucos que conseguem ultrapassar a barreira das questões mundanas acabam sempre iluminando nossa vida, chego a usar uma expressão nem sempre compreendida, que fazem parte do meu acervo afetivo.

Portanto aquele seu amigo do peito é um tesouro. Raríssimo de achar.

Talvez o maior ponto de reflexão para essa pergunta não é sobre qualidade, ja que de uma forma geral, acredito que uma pessoa para se qualificar como amigo de outra deve ser honesta, confiável, ter senso de humor, ser leal e por aí vai. Essas qualidades quando permeadas por empatia perfazem a fórmula mágica para uma amizade duradoura.

Fato: não perdemos amigos por falta de qualidades e sim pela incapacidade de lidar e compreender seus defeitos.

Exemplifico: um amigo honesto porém dissimulado não dá para tolerar. De igual forma aquele confiável porém ganancioso faz qualquer um ter um pé atrás. Ainda que seja divertido e se diga seu amigo.

Então a enumeração simples de qualidade de amigo torna-se improdutiva, de modo que não vou perder o nosso tempo com aquela hipocrisia tipo amigo é aquele que me defende antes de tudo blah blah blah.

Porque ao contrário da lição da tia no colégio, viver é violento, o homem, como já ensinado por Deus é falho, certamente na máxima da Dilma tipo ninguém perde nem ganha, nem que perde nem quem ganha, ganha… todos nós perderemos ao final.

E a minha vida se resume a isso… o maior aprendizado que fiz ao fazer e enterrar amizades foi entender as minhas fraquezas ou anseios que levaram a considerar basicamente um picareta por amigo.

Talvez não seja o único?! E com voce?

A questão do emprego…

What jobs have you had?

Interessante notar como no mundo de hoje, ao ler uma pergunta como a de hoje, algo simples, penso objetivamente na resposta em seguido ao pensamento como estou me sentindo.

Tem algo na pergunta sobre quantos empregos ja tive me coloca no modo defensivo dado o fato que, como advogado tive apenas um emprego de carteira assinada a época na RJZ.

Isso não significa que não tenha no passado buscado relação formal de emprego tanto em empresas ou escritórios. No entanto, ao que parece a formação acadêmica e universitária me capacitou ao patamar de empregado por meios próprios.

Quando em 2012-13 recebi a oportunidade de iniciar o meu escritório de advocacia vivi um momento muito feliz. Ainda que com medo, o que hoje olhando para trás é natural, virei algumas chaves internas que dão certo ha mais de dez anos.

Desde sempre no Tribunal de Ética da OAB, embarquei no voo solo, o que aliás todos que conviviam ao meu redor ja diziam.

Então porque não segui o início desse caminho relaxado, feliz, porque estava no início da construção da carreira fantástica ja tendo inclusive realizado um sonho de criança que foi passar pela candidatura a deputado do início ao fim imaculado.

Porque isso não gerou a época um sorriso?

Simples, estava seguindo um caminho sem olhar para dentro com aquela visão de aceitação. Como casa decisão implicava em um caminho, responsabilidades a parte, olhando para trás hoje posso avaliar as curvas e os ajustes de conduta realizados com calma e clareza.

Portanto o que importa para mim não é responder quantos empregos ja tive, e sim, o que aprendi com os empregos e depois de anos de experiência com o escritório.

Hoje fortalecido o sentimento mudou. Eu sou um sobrevivente, consegui superar a adversidade inúmeras vezes e por isso consigo mensurar o meu valor, ainda que antes de qualquer outra pessoa.

A experiência da porta aberta criou uma casca que se aplicou as decisões básicas tipo cliente para dentro, cliente para fora. Sócio para dentro, sócio para fora. Aquela maturidade que comumente é contestada e sentido falta em jovens juizes que não tiveram tempo de esquentar a cadeira no escritório, aqui foi assimilada. A necessidade de entregar o trabalho e a dinâmica das relações pessoais com à empresarial aprendi desde cedo ao me enveredar pelo LL.M aqui, extensão nos EUA e no único emprego que tive. Um mês de contratado ja sentava ao lado do Rogerinho na mesa dos diretores.

Isso mostra duas coisas. Além do fato que não sou o funcionário padrão repetidor de dados e tarefas, motivo pelo qual tive tantos clientes e não me firmei em um emprego, consigo provar que construi músculos com essa experiência. Foi indolor? Não. Foi imatura? Claro afinal ninguém nasce sabendo. Foi difícil? É até hoje…

Portanto a energia por trás dos desafios foi importante.

As vezes olho para trás e percebo, fiquei tanto tempo me esforçando tanto, tentando tanto e com tanta vontade que só fui me perceber gay por exemplo depois dos trinta e cinco.

A grande lição por trás disso é, tivesse tido tempo para mim talvez seria menos sofrido, certamente teria tomado menos ansiolíticos, anti depressivos, talvez mais confortável as escolhas não teriam sido tão difíceis, saberia eu o meu lugar desde cedo. Talvez a forte influência da criação não teria me permitido.

Fica ai essa reflexão com a leveza de quem ha dias atrás escreveu e disse, ter tudo esta fácil, difícil é saber aproveitar o que tem sem confundir com as dificuldades e os desafios profissionais que tem, também sem vincular o resultado do trabalho como determinante no querer…

Página virada!